Orlando Castaño abre exposição dos últimos 24 anos de trabalho

Após período fora do país e docência na Guignard, artista volta a expor seu trabalho na capital

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Com 15 obras, “Abstrato” terá abertura hoje na Murilo Castro
ORLANDO CASTANO/DIVULGAÇÃO
Com 15 obras, “Abstrato” terá abertura hoje na Murilo Castro

Se as artes visuais no Brasil vêm progressivamente se abrindo a linguagens como a instalação e a performance, em misturas com dança, vídeo e materiais alternativos, há ainda alguns artistas que “resistem” às novas tendências e praticam modalidades mais tradicionais de criação artística. É o caso do pintor Orlando Castaño, que abre a exposição “Abstrato”, nesta terça, na Galeria Murilo Castro.

“Eu digo que sou um dos últimos pintores vivos da minha geração”, comenta ele. Castaño se refere à geração de 1950, que se concentrava na produção de quadros (óleo sobre tela) abstratos. “Eu compararia meu trabalho com um quadro renascentista, mas sem ter figuras e objetos muito claros”, pontua ele.

A exposição conta com 15 quadros, em grandes tamanhos (alguns com mais de dois metros de altura), que abrange um período de 24 anos, do início dos anos 1990 até hoje. “Eu fiquei muito tempo fora do país, e existe um mercado que ainda não conhece meu trabalho”, pontua.

Castaño nasceu nos anos 1940, em Mutum, no Norte do Estado, mas veio para Belo Horizonte ainda menino. Sua carreira começou precocemente, aos 14 anos, quando ele já se dedicava ao desenho. Foi um deles que o levou para Madri, na Espanha, onde estudou artes plásticas e, na sequência, o artista foi viver em Berlim. “Eu não tinha ideia que passaria tanto tempo na Alemanha”, revela ele, que saiu do Brasil em 1973 e voltou apenas em 1985. Depois disso, passou a lecionar na Escola Guignard, onde atuou até 2006.

O período em que Castaño esteve fora do Brasil foi justamente o que compreende os anos de chumbo da ditadura militar, depois do nefasto AI-5, assim como os sopros de reabertura democrática em meados dos 1980. Na visão do artista, contudo, os censores da ditadura brasileira acabaram não interferindo tanto no trabalho dos artistas plásticos brasileiros. “Acho que os maiores prejudicados e perseguidos foram os intelectuais e os escritores. Para as artes plásticas, os censores não tinham uma compreensão, uma sensibilidade tão grande”, finaliza o pintor.

Agenda

O quê. “Abstrato”, de Orlando Castaño

Quando. Abertura nesta terça, às 21h. Desta terça até 21 de novembro(de segunda a quinta, das 8h às 21h; sextas e sábados, das 8h às 16h30)

Onde. Galeria Murilo Castro (rua Antônio de Albuquerque, 377, sl.1, Savassi)

Quanto. Entrada gratuita

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