Ópera envolta em polêmica

“A Morte de Klinghoffer”, que estrearia ontem em Nova York, é acusada de antissemita

iG Minas Gerais |

Estreia. Cena da ópera “A Morte de Klinghoffer”, que estreou originalmente em 1991
Ken Howard
Estreia. Cena da ópera “A Morte de Klinghoffer”, que estreou originalmente em 1991

A Metropolitan Opera de Nova York se viu às voltas com sua estreia mais tumultuada em décadas, com manifestantes criticando o espetáculo “A Morte de Klinghoffer”, uma ópera de John Adams sobre o sequestro de um navio de cruzeiro por guerrilheiros palestinos em 1985, cuja nova temporada entraria em cartaz ontem à noite. A peça, que alguns acusam de antissemita, mostra o assassinato de Leon Klinghoffer, um judeu nova-iorquino que fazia um cruzeiro com a mulher a bordo do navio Achille Lauro, e que teve seu corpo jogado ao mar junto com sua cadeira de rodas.

Em 1991, menos de cinco anos após o sequestro, a ópera estreou em Bruxelas, recebendo críticas principalmente favoráveis e causando pouca controvérsia. Mas, poucos meses depois, quando a ópera entrou no circuito de Nova York, no Brooklyn, onde Klinghoffer morava, os ânimos esquentaram.

A produção recebeu muitas críticas raivosas, incluindo uma declaração de ultraje das filhas de Klinghoffer, Lisa e Ilse, que a consideraram antissemita e tendenciosa. Esses rótulos ficaram com a ópera desde então. Nesta segunda-feira, Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York, se juntaria a centenas de manifestantes em um protesto que previa levar cem cadeiras de rodas simbólicas à frente do teatro no Lincoln Center, em área nobre de Manhattan.

No mês passado, uma multidão que se manifestava contra a ópera vaiou os espectadores em trajes de gala que iam para a abertura da temporada da Metropolitan Opera, e a companhia cancelou planos de transmitir “Klinghoffer” internacionalmente.

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