Anvisa proíbe uso de 14 canabinoides sintéticos no Brasil

Produtos não têm fins terapêuticos

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda uma atualização da lista de substâncias sujeitas a controle especial descritas na Portaria 344/98. A nova lista inclui 14 novos canabinoides sintéticos – nenhum deles, segundo o órgão, possui fins terapêuticos.  

Por telefone, a assessoria de imprensa da Anvisa explicou que as substâncias estão na lista de proscrição da Convenção das Nações Unidas sobre Substâncias Psicotrópicas. O Brasil é signatário desse acordo, o que fez com que as substâncias devessem entrar para a lista de proscritas do país. “Somente neste ano a Anvisa já fez quatro atualizações na lista, totalizando 36 produtos incluídos”, declara o órgão por meio de uma nota em seu site. Apesar de serem chamadas de “canabinoides”, a relação com as plantas do gênero canábis (maconha) praticamente não existe. O artigo “Canabinoides sintéticos: drogas de abuso emergentes” dos pesquisadores Audrei de Oliveira Alves, Bárbara Spaniol e Rafael Linden, publicado no periódico científico SciELO, explica a origem dessas drogas. “Um grande número de canabinoides sintéticos, análogos ao THC, principal metabólito ativo da maconha, foi sintetizado na tentativa de excluir ou minimizar os efeitos psicotrópicos e isolar a ação terapêutica. Isso não foi possível, ocasionando o surgimento de uma nova classe de drogas de abuso”, traz o artigo. “Elas não são derivados nem extratos de maconha. São substâncias totalmente elaboradas em laboratório, que atuam em receptores do nosso sistema nervoso onde os canabinoides derivados da maconha também atuam”, complementa o médico Paulo Fleury Teixeira, especialista e consultor em medicina preventiva, em entrevista a O TEMPO. Perigos. Por se tratar de drogas feitas em laboratório e com alta concentração de princípios ativos, os canabinoides sintéticos oferecem riscos de overdose, o que não se tem registro na maconha in natura. “Alguns efeitos são ataques de pânico e convulsões”, diz Teixeira. Como as drogas são de uso recente, ainda não há relato de óbitos, nem informações sobre sua toxicidade aguda e a longo prazo.

Lista C1 Uso controlado. As substâncias Lacosamida e Rotigotina também passaram a constar da Portaria 344/98, ficando classificadas na lista C1, de substâncias sujeitas a controle especial.

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