Com o ‘dom de línguas’, as pessoas falam mesmo idiomas estrangeiros

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Vamos esclarecer mais o que é glossolalia e xenoglossia dos carismáticos católicos e dos pentecostais. A religião que mais entende de espíritos é o espiritismo. E o dizemos sem menosprezar a teosofia, o esoterismo, o ocultismo e outras crenças. E, por oportuno, lembro aqui que esoterismo com “s” é um conhecimento profundo de um assunto. Por isso é de poucos. Já o exoterismo com “x” é de muitos, pois é um conhecimento simples para as massas. O fenômeno de xenoglossia consiste em a pessoa falar em línguas estrangeiras de fato, sem o conhecimento delas (“Xenoglossia”, Ian Stevenson – diretor do Departamento de Parapsicologia e Psiquiatria da Universidade da Virgínia, Estados Unidos –, Editora Vida & Consciência, SP, 2011). O apóstolo Paulo fala nesse dom de línguas (1 Coríntios capítulo 14), o que o espiritismo chama de mediunidade de línguas. Para os carismáticos e os pentecostais existe mais é o dom de “orar em línguas” ou glossolalia (murmúrios, frases espontâneas e soltas, frequentemente acompanhados de delírios, gemidos, gestos e até danças). E isso não é, pois, o dom (mediunidade) de xenoglossia ou de falar línguas estrangeiras de que trata Paulo: “Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua” (1 Coríntios 14: 18 e 19). E citando Isaías 28: 11 e 12: “Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor” (1 Coríntios 14: 21). Realmente, para Paulo, o “dom de línguas” é xenoglossia. Para os carismáticos católicos e os pentecostais é o dom de orar em línguas ou glossolalia, ou seja, frases soltas e murmúrios. Em ambos os casos, as pessoas ficam em estado alterado de consciência (transe mediúnico ou êxtase, no dizer da Igreja). E nesse estado alterado de consciência aflora a lembrança duma língua estrangeira de uma reencarnação passada contida no inconsciente da pessoa, segundo o cientista norte-americano citado, ou, então, se trata de um espírito que fala a língua dele estrangeira, e que os carismáticos e pentecostais supõem, equivocadamente, que seja o Espírito do próprio Deus (Espírito Santo). Mas no original em grego do Novo Testamento e na Vulgata Latina, não se diz “o” Espírito Santo, mas “um” espírito santo, bom, recebido pelo médium, mas que pode ser também um espírito humano mau (atrasado). E é por isso que João nos recomenda que examinemos os espíritos, para sabermos se são bons ou não (1 João 4: 1). Para saber mais, recomendo meu livro “A Face Oculta das Religiões”, Ed. EBM, SP, lançado também em inglês, nos Estados Unidos. E vejamos o que diz Raniero Cantalamessa, um dos pregadores para o papa Bento XVI: “Por vezes causa perplexidade o fato de tratar-se de um fenômeno que ocorre também fora do cristianismo” (“A Oração em Línguas”, Márcio Mendes, Ed. Canção Nova, SP, 2007). Realmente, a mediunidade ocorre em todas as religiões. E em Pentecostes, os vários espíritos recebidos pelos apóstolos falavam em suas respectivas línguas estrangeiras, e os presentes de outras nações entendiam as línguas diferentes faladas pelos espíritos manifestantes, o que demonstra que se tratava de xenoglossia e não bem de glossolalia! Recomendo “Evangelho Fácil”, de Luis Hu Rivas, Boa Nova Editora, Catanduva, SP, 2014.

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