Hortas em casa são tendência e podem refletir uma nova maneira de pensar a alimentação

A busca por alimentos saudáveis é tendência crescente entre nova geração

iG Minas Gerais |

FOTOS: Lincon zarbieti
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Assim como as hortas da cidade estão na contramão de uma urbanização acelerada, há também uma nova onda de busca crescente por alimentos orgânicos e cultivados sem agrotóxicos ou por meio de outras tecnologias. O movimento é chamado de “slowfood”, em contraponto com o conceito de “fastfood”, e vem impulsionando o aumento de cultivos individuais, sejam eles hortas em casas, apartamentos ou até em pequenos vasos.

“Atualmente, vejo também o perfil de uma nova geração que questiona o modo de vida que é posto. Quando você coloca a comida no centro de sua vida, vê que isso também reflete em outras relações. Desde a questão ambiental, como ele é produzido, impactos ambientais e sociais de sua produção e a saúde. Se você não tem tempo de preparar seu alimento e comê-lo com calma, é preciso repensar a vida”, afirma a geóloga Tatiana Fonseca.

Mudança. A fisioterapeuta Nádia Fadini Serpa, 35, aderiu a diversas mudanças alimentares depois de ser vítima de um câncer no intestino. Atualmente, ela só se alimenta de comidas orgânicas e restringe ao máximo tudo que é industrializado ou com toxinas.

Uma das saídas para a tão sonhada alimentação sem agrotóxicos foi criar uma pequena horta dentro de seu apartamento. Ali, ela planta couve, hortaliças diversas e tem até um pé de jabuticaba. “De início, pode-se achar complicado, mas não é. Eu acabei procurando uma consultoria. O espaço é pequeno, mas, mesmo assim, consigo cultivar muitas coisas. Isso não tem preço”, afirma.

Ela tem orgulho de sua horta e levou a prática também para o prédio, onde há uma horta coletiva em uma área comum do edifício, que fica no bairro Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. “Além de me alimentar de algo mais saboroso e nutritivo, descobri o prazer de cuidar da terra. É quase uma terapia”, conta.

Nádia diz que ultimamente tem visto muitas pessoas aderindo à prática e que, principalmente depois que montou sua horta, acabou incentivando vários amigos. “As pessoas se animam a tentar também, e muitos, sabendo que gosto das plantas, sempre me presenteiam com mudas”. (BF) Horta na ocupação

Integrante da Articulação Metropolitana de Agricultura Urbana (Amau), Tatiana Pimentel Fischer Fonseca, 26, é uma das idealizadoras do projeto de uma horta comunitária para os moradores da ocupação Vitória, na região do Isidoro, no Norte de Belo Horizonte. No local, segundo a geóloga, já foram colhidos arroz e feijão, e existem muitas pessoas com o perfil para essa cultura. “Temos discutido esse tipo de espaço, em oposição ao programa federal Minha Casa, Minha Vida, porque permite que essas pessoas trabalhem a questão da segurança alimentar e da geração de renda”, explica. Tatiana também afirma que as hortas ajudam na tensão em que essas pessoas vivem devido ao conflito de terras. 

Quem compra

A professora Patrícia Sabrina dos Santos, 37, descobriu a horta comunitária do bairro Cardoso, na região do Barreiro, por meio da escola em que trabalha – parceira do projeto. “Posso comprar algo sem agrotóxicos e por um preço muito menor do que nos supermercados”. Os valores dos alimentos são variados, e cada produtor decide os preços. Para quem quer iniciar a prática de plantio ou criar uma horta em casa, pode entrar em contato com a Articulação Metropolitana de Agricultura Urbana (Amau) pelo endereço www.amau.org.br.

Alcance

Segundo o gerente responsável pelas hortas, Sebastião Lima, 51 delas estão ativas e seis em fase de replantio. Cada uma delas atinge uma média de dez agricultores. Considerando média de três integrantes por família, são cerca de 1.530 pessoas diretamente beneficiadas pelo programa, além dos moradores do entorno.

Mapeamento

O curso de ciências biológicas do Centro Universitário Izabela Hendrix tem um projeto chamado Verde Comunitário, que mapeia as hortas urbanas da capital e da região metropolitana. Para isso, a equipe elaborou um mapa virtual para mostrar relatos da população sobre as experiências agrícolas. Mais informações no portal www.otempo.com.br.

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