Nordeste supera Rio e SP em festivais

São 21 por ano, do metal ao forró, contra 20 das capitais paulista e carioca anualmente; o Nordeste continua pioneiro, basta um olhar sem ignorância para aquela

iG Minas Gerais | Lucas Simões |

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Se Luiz Gonzaga revelou o Nordeste ao país, o próprio Nordeste revelou a música para o Brasil. Basta olhar pra trás. Os dois últimos maiores movimentos da história da música brasileira nasceram de lá: primeiro, a Tropicália de Gil e Caetano injetou psicodelia aos anos 1960. Depois, o manguebeat antenado de Chico Science na década de 1990. Isso sem contar que se não fossem os baianos Raul Seixas e João Gilberto, o que seria do rock n’ roll brasuca e da genuína bossa nova?

Hoje em dia, apesar de o Brasil não viver mais movimentos musicais específicos com a magnitude do passado, e sim cenas dissipadas em pílulas explosivas de experimentações, o Nordeste continua pioneiro. Basta um olhar sem ignorância para aquela região do país.

Mesmo com o eixo Rio-São Paulo concentrando os três principais festivais do Brasil – Rock in Rio, Lollapalooza e Planeta Terra –, é a região Nordeste que abriga o maior número de festivais de música do Brasil hoje. São 21 por ano, do metal ao forró, contra 20 das capitais paulista e carioca anualmente.

A recifense Karina Buhr, das principais compositoras contemporâneas do país, observa que desde o manguebeat, artistas nordestinos deixaram de migrar para o Sudeste. “Moro em Recife e não preciso sair daqui. O Festival de Verão de Salvador é o maior do Brasil hoje. A cena experimental, ao lado da região Norte, pauta o país todo com uma mistura de regionalismo e modernidade que não se vê por aí. Estou falando de Otto, Cidadão Instigado, Tibério Azul, gente que passou a ser olhada por caras como Arnaldo Antunes, Martinho da Vila, e até Donatinho, filho do João Donato, que produziu a Juliana Sinimbú, cantora de Pernambuco. Antes, o Gonzagão queria mostrar o sertão, o Geraldo Azevedo o frevo, e agora a gente exporta uma coisa sem rótulo, que é o talento múltiplo do rock ao forró eletrônico. Ignorante pra mim é quem não valoriza isso”, sintetiza Karina.

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