A paixão pelo ofício da cena

Uma das grandes damas do teatro, cinema e teledramaturgia brasileira, Atriz faz única apresentação de seu monólogo “Paixão”, escrito por Betty Millan, hoje, no Sesc Palladium;

iG Minas Gerais | Gustavo Rocha |

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Uma das grandes damas do teatro, cinema e teledramaturgia brasileira, Nathalia Timberg chega a Belo Horizonte para apresentar seu trabalho “Paixão”, uma espécie de preciosidade que a acompanha há exatos 20 anos. A peça faz única apresentação no Sesc Palladium, hoje.

“Na época, eu já havia conhecido os textos da autora. E eu pensava e falava sobre a importância da palavra, eu me preocupava muito com isso. A proposta desse espetáculo é um ensaio dela sobre o amor. Dai, eu acionei o Wolf (Maia, diretor do monólogo) que tinha a mesma sensação. Desde então, como ele tem um tema universal que é o amor, ele vem sendo solicitado”, comenta Timberg.

O espetáculo é uma adaptação de um capítulo (“Os Dizeres do Amor”) do livro “E o que é o amor?”, de Betty Millan. O texto foi encomendado por Nathalia à autora. A ideia era uma narrativa que falasse sobre a emoção, dor e alegria de quem ama intensamente. “É um espetáculo elegante que faz a plateia rir, chorar e se emocionar”, comenta Betty. Além disso, o trabalho se inspira também em poéticas brasileiras e portuguesas, por meio de autores como Adélia Prado, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Florbela Espanca, dentre outros e se vale de três eixos que conduzem sua narrativa: a prosa, a poesia e a música. “São três linguagens que falam de uma coisa que não virá a abandonar o ser humano. O amor está permanentemente na vida das pessoas. A emoção percorre todo o espetáculo e a plateia junto. Eu falo muito através do silêncio e de suas qualidades”, ressalta a atriz.

A adaptação do texto foi realizada com a colaboração do professor e linguista Haquira Osakabe, responsável pela pesquisa relativa às líricas portuguesa e brasileira. A música é assinada por Júlio Medaglia. Em cena, dois músicos acompanham Nathália Timberg que faz as palavras fluírem à medida que ela vai revelando suas ilusões e desilusões amorosas. “A Betty comenta que o espetáculo é um interlúdio, eu chamo de concerto”, pontua Nathalia.

A peça percorreu quase todos os estados brasileiros. Sua atual turnê comemora os 60 anos de carreira de Nathalia. “As pessoas gostam de datas redondas. Essas comemorações partem mais de fora, mais de outras pessoas do que da gente mesmo”, pondera. “Com uma trajetória tão longa, a chegamos à constatação que, a cada dia, a gente comemora a vida. Cada vez mais, a gente encontra um estímulo de estar fazendo esse tipo de trabalho, de comunicar-se, trazer alguma coisa. Eu questionava muito a minha forma de estar aqui (no mundo). E eu acompanho esse questionamento com consciência e a sensibilidade artística”, completa.

Maturidade. Assim como aquele homem (mulher) de Heráclito que não se banhava duas vezes no mesmo rio – pois não se tratava do mesmo rio, muito menos do mesmo homem – a atriz acredita que seu trabalho tenha amadurecido ao longo dessa longa trajetória já percorrida por “Paixão” e seus 20 anos. “Não há mudanças no texto, que, francamente, eu considero muito bom e atemporal, mas há uma maturidade adquirida em sua apresentação, que hoje é concisa, mais limpa. O material do qual esse espetáculo é feito (o amor) precisa ser recebido da forma mais pura possível, sem virar um elemento de distração. Por outro lado, ele continua aberto a esse poder da palavra, da poesia”, filosofa. “Eu sempre tenho prazer em fazer esse espetáculo toda vez que sou solicitada. Ele toca muito as pessoas, justamente por falar de algo que não deixa de nos ser caro, que são as relações amorosas”, completa.

O público de Belo Horizonte terá novamente a oportunidad e de ver Nathalia em ação já na próxima semana, quando ela voltará com o espetáculo “Tríptico Beckett”, da Companhia de Teatro Clube Noir. A peça se apresentará dentro da Mostra Cine Brasil Teatro e Música, que tem curadoria do Galpão Cine Horto.

Com direção de Roberto Alvim, a peça se centra em três textos do dramaturgo irlandês (Samuel Beckett), vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, em 1969. Uma livre adaptação da trilogia final de Beckett, composta pelas obras “Para o Pior Avante”, “Companhia” e “Mal Visto Mal Dito”, textos que sintetizam a visão de mundo “beckettiana” e que configuram seu testamento artístico. “O Beckett sempre foi um autor que eu gostaria de ter passado com mais vagar, mais calma. Esse tempo, que é próprio dele, leva o público e nós também para uma realidade muito peculiar, muito difertente do que se vive na rotina”, comenta ela.

 

 

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