Ritmo nada quente

Boa edição esconde história repetitiva e sem grandes vilanias de “Boogie Oogie”, folhetim assinado por Rui Vilhena

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Vilão? Como Pedro, José Loreto não convence como um dos vilões do folhetim das seis da Globo
Globo
Vilão? Como Pedro, José Loreto não convence como um dos vilões do folhetim das seis da Globo

O autor de “Boogie Oogie”, Rui Vilhena, sabe muito bem utilizar a ambientação da trama a seu favor. Entre as idiossincrasias da era disco, ele aglutina amores e dramas que não conseguem convencer em novelas atuais, mas que soam perfeitamente críveis no folhetim dos anos 70. Graças ao bom trabalho de direção e edição, o retorno ao passado ganha contornos contemporâneos, com cenas curtas, sempre entremeando núcleos principais e secundários. Sendo assim, a produção enfrenta o paradoxo de ser datada, mas ter tratamento atual.

A sensação provocada por tanta rapidez é de que qualquer piscadela pode fazer com que o telespectador perca o eixo da trama. No entanto, no acúmulo dos capítulos, essa agilidade serve apenas para mostrar que pouca coisa acontece em “Boogie Oogie”. A mocinha de Isis Valverde continua chorando e sempre colocando em xeque seu amor pelo galã de Marco Pigossi. Sem muita maquiagem, chega a dar certa aflição ver as cenas mais tristes de Isis na pele da sensível Sandra. Pigossi soa correto, nem herói nem brilhante, mas põe suas feições de bom moço a serviço de uma trama que prima pelo óbvio. Dos personagens principais, a surpresa fica por conta do desempenho nada animador de Bianca Bin na pele da aprendiz de vilã Vitória. Timidamente controversa e extremamente afetada, a personagem não representa qualquer ameaça para separar os protagonistas.

Para uma trama que abusa dos clichês, falta um vilão que realmente movimente a roda. Todos os tipos com propensão ao mau-caratismo não chegam a se desenvolver de forma mais aprofundada. José Loreto não assusta ninguém com suas caras e bocas na pele do renegado Pedro. Em ótima fase, Giulia Gam tem lá seus momentos mais maquiavélicos, mas a perua Carlota carece de motivos mais densos para cometer atrocidades. Até a passional Susana, de Alessandra Negrini, ganha certos ares de simpatia dentro da trama. Em tempos de novelas das seis mais curtas, fazendo sucesso ou não, “Boogie Oogie” deverá seguir o cronograma da Globo e ser exibida até depois do Carnaval. Isso parece justificar o esquema de repetição, onde a profusão de acontecimentos só ajuda a esconder o vazio da história.

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