Lula chama Aécio de ‘filhinho de papai’ e ‘moço vingativo’ em BH

Ex-presidente fez duras críticas ao candidato Aécio Neves; segundo Lula, mineiros precisam votar em Dilma para não ficar sem recursos do governo federal

iG Minas Gerais | ANDERSON ROCHA / TÂMARA TEIXEIRA |

Lula conversa com cidadãos em evento, em Santa Tereza.
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Lula conversa com cidadãos em evento, em Santa Tereza.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou na manhã deste sábado (18) em Belo Horizonte para participar de um ato de campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), na praça Duque de Caxias, no bairro de Santa Tereza, região Leste da capital. Lula esteve acompanhado do governador eleito Fernando Pimentel (PT), além de prefeitos, deputados estaduais e federais eleitos pelo PT e de partidos coligados e lideranças locais, como o músico Flávio Renegado. Programado para às 9h30, o evento começou com uma hora e meia de atraso.

Lula utilizou boa parte dos 34 minutos de discurso para criticar o candidato à presidência Aécio Neves (PSDB), a quem chamou de “filhinho de papai” e “moço vingativo”. Com praça lotada, o ex-presidente afirmou que aos mineiros precisam votar em Dilma, senão o Estado - que será governado, pela primeira vez, pelo PT - não receberá ajuda do governo federal.

Para argumentar, Lula usou o período em que Itamar Franco era governador de Minas: ao se posicionar contra as privatizações, como retaliação, o então presidente Fernando Henrique Cardoso teria cortado todos os repasses para Minas Gerais. De acordo com Lula, ao contrário disso, quando ele era presidente e no governo Dilma, o estado de Minas, mesmo comandado há 12 anos pelo PSDB, sempre recebeu apoio. “Nunca faltou recurso para os mineiros. Quase 90% das políticas sociais de Minas são feitas com recursos federais. E isso não é porque Dilma fez um favor, mas porque o compromisso da presidente é com o povo", disse.

Lula também recriminou a postura com a qual Aécio se dirige a Dilma nos debates e afirmou que jamais foi desrespeitoso ou grosseiro com FHC, Alckmin ou Collor. "Isso não é comportamento de um candidato a presidente. É um filhinho de papai, que sempre acha que os outros têm que fazer tudo para ele. Não sei se ele teria coragem de ser tão grosseiro se o adversário dele fosse homem. Não só porque ela é mulher, mas presidente", afirmou.

“Aécio é um moço vingativo. Não conheço, em nenhum momento da história, nem na ditadura militar, um momento em que os professores tenham sido tão perseguidos".

Corrução O ex-presidente também criticou o discurso do candidato Aécio, a quem, segundo ele, se parece com o da UDN: gosta de fazer denúncias de corrupção dos outros, escondendo o seu rabo. "Queria que vocês fizessem investigação nas bibliotecas para ver se houve governo que abriu mais possibilidades de investigação do que esse. Se fosse no governo dele, entrava tudo para debaixo do tapete”.

Bafômetro O ex-presidente também relembrou o caso em que Aécio se negou a fazer o teste do bafômetro, em uma blitz, no Rio de Janeiro. Segundo Lula, Aécio, de vez em quando, age como um fidalgo. "Bafômetro não cheira carteira, cheira álcool. Fico imaginando quando ele encontrar um catador de rua pela frente, como ele vai ser tratado".

Estratégia Dilma não esteve presente ao evento porque o ex-presidente tem combinado agendas separadas com a candidata. O objetivo é potencializar busca por votos, uma vez que o tempo de campanha no segundo turno é pequeno. Em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, Dilma foi a mais votada no primeiro turno – superando seu adversário Aécio Neves (PSDB), que tem no Estado sua principal base eleitoral. Já Pimentel bateu no primeiro turno o candidato de Aécio a governador, Pimenta da Veiga (PSDB), e está agora à frente da coordenação da campanha de Dilma em Minas.

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