Mesmo na crise, Copasa ainda desperdiça 35% de sua água

Especialistas dizem que falta gestão eficiente para evitar desabastecimento e cobram ação imediata

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Antes e depois. Moradores de Delfinópolis mostram, na rede social, os efeitos da estiagem na região
Amigos do Rio Grande/facebook/reprodução
Antes e depois. Moradores de Delfinópolis mostram, na rede social, os efeitos da estiagem na região

Gestão eficiente do recurso hídrico de Minas Gerais está a cada dia mais necessária diante da estiagem que o Estado sofre. Uma das ações para diminuir a perda pode ser feita pelos próprios gestores, que é evitar o desperdício na hora da distribuição. “A Copasa tem uma média de desperdício de 35%, muito grande ainda”, afirma Hubert Brant, diretor da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG). Para Brant, o ideal seria que essa perda não ultrapasse 20%. “Fizemos um acordo com a Copasa para que esse número seja reduzido nos próximos dois anos para 25%”, diz.

Esse desperdício se dá na rede de distribuição e trata-se de água já tratada. Apesar do percentual da Copasa ser alto, Brant informa que média nacional é de 40%.

A falta de chuvas no Estado criou para as prefeituras mineiras o desafio de gerir uma crise que era improvável até o ano passado. “Tenho certeza que no ano que vem o tema do recurso hídrico estará na mesa dos prefeitos com mais frequência”, avalia Gilberto Morato, consultor na área de meio ambiente da Associação Mineira de Municípios (AMM).

O professor em engenharia ambiental e gestão ambiental do centro universitário Una, Isaac Henriques, concorda. “Estamos vivendo um ciclo muito prolongado de estiagem no Estado. É difícil dizer que o problema de abastecimento de água tenha sido ocasionado por falha no gerenciamento. Mas, muitas ações podem ser pensadas a partir de agora”, opina.

Muitos municípios que vivem o racionamento no Estado tem a gestão da água feita por uma entidade da prefeitura. Porém, a gestão municipal não é encarada como menos capacitada. “Não vejo relação entre a falta de água e a gestão municipal. O que conta é a forma como eles captam água. Municípios pequenos, com pouco recurso, mas que são abastecidos por água subterrânea, por exemplo, não estão enfrentando problemas”, afirma Hubert Brant.

Para Henriques, o fato de uma prefeitura iniciar o racionamento pode, inclusive, significar uma tentativa de gestão. “Quem não está tomando nenhuma atitude é que pode estar errado. Falta transparência na hora de falar sobre a falta de água”, critica.

Emergência

Subiu. Carmópolis, na região do Jequitinhonha, decretou situação de emergência em função da estiagem. Agora já são 160 cidades nessa situação no Estado, por causa da falta de chuva.

Rio dos Monos tem vazão 50% menor e Recreio vai racionar O município de Recreio, que faz fronteira com o Estado do Rio de Janeiro, na Zona da Mata, inicia racionamento no abastecimento de água na próxima semana. A água será cortada à noite, a partir de 18h até 6h. “Adotamos esse horário para tentar não sacrificar muito a população”, afirma o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Recreio, João Alicides Campos Ferreira. “Nossa captação no Ribeirão dos Monos caiu 50%. Para atender a cidade, precisamos de uma vazão de 28 litros por segundo e no momento, estamos com apenas 15 litros”, explica Ferreira. A Prefeitura de Recreio chegou a avaliar se era necessário decretar Estado de Emergência. “Optamos por esperar se o racionamento será o suficiente para abastecer a cidade e, se as chuvas começam”, concluiu.

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