“Cruzeiro x Atlético” dos games divide os fãs no país do futebol

A cada dez jogos vendidos aqui, dois são do esporte favorito

iG Minas Gerais |

PES 2015. Na briga por fãs, game da Konami conquista quem quer uma abordagem mais divertida do mundo da bola
Konami/Reprodução
PES 2015. Na briga por fãs, game da Konami conquista quem quer uma abordagem mais divertida do mundo da bola

São Paulo. Na última semana, eles estavam um de cada lado do campo, prontos para o embate. O juiz apitou o início da partida na maior feira de jogos da América Latina, a Brasil Game Show (BGS). A briga no evento se encerrou, mas o embate homem a homem continua fora do campo – ou melhor, nos videogames, em uma rivalidade que dura mais de duas décadas. Em 2014, não poderia ser diferente: Pro Evolution Soccer (PES), da Konami, e Fifa, da Electronic Arts (EA), voltam a disputar a atenção dos fãs de futebol. Quem sai ganhando é o jogador – do sofá de casa, é claro.

A Electronic Arts (EA) saiu na frente, aproveitando a BGS para fazer o lançamento do novo Fifa 15. Já a japonesa Konami só mostrou a versão de demonstração de PES 2015, também disponível gratuitamente em lojas virtuais para PC, Playstation e Xbox – a versão final chega às lojas em 11 de novembro.

Segundo dados da consultoria GfK, a cada dez jogos vendidos no Brasil, dois são de futebol. É atrás dessa fatia que estão Konami e EA. A empresa de pesquisas alemã disse que o Brasil é o país mais interessado pelo gênero, mesmo em comparação com outros grandes mercados, como o europeu e o asiático. Produtor sênior de PES 2015, Manolito Hosoda reiterou a importância do país. “O Brasil é o nosso mercado número um nas Américas”, diz ele.

Rivalidade. Cada um dos jogos tem seus fãs, com argumentos e estilos próprios: Fifa costuma ser apreciado por trazer uma abordagem mais realista dos gramados, enquanto PES conquista quem quer uma abordagem mais divertida do mundo da bola.

Em 2014, a batalha ganha mais um ingrediente: é a primeira vez que os dois jogos chegam à nova geração de videogames – em 2013, a Konami não teve tempo para produzir PES 2014 para PS4 e Xbox One.

Para o brasileiro Gilliard Lopes, que trabalha na equipe de desenvolvimento da Electronics Arts desde 2008, os novos consoles ajudam as empresas a criar gráficos cada vez mais bonitos e realistas, “deixando difícil saber se o que está na tela é um game ou um jogo de verdade”.

No teste feito pela reportagem durante a BGS, Fifa 15 leva a melhor por oferecer gráficos mais atraentes e jogabilidade mais fluida, com experiências próximas às do real, além de impressionar pela boa narração de Tiago Leifert e Caio Ribeiro.

Apesar de causar estranhamento pela lentidão das jogadas, o game da Konami mostra melhorias em relação à decepcionante última edição, e diverte com a narração bem-humorada de Sílvio Luiz.

Times brasileiros. Além da jogabilidade e dos gráficos, um aspecto acirra a competição entre Fifa 15 e PES 2015: o licenciamento dos times brasileiros. Presente em Fifa 14, o Brasileirão não aparecerá no game neste ano graças a uma nova interpretação da lei trabalhista dos jogadores, que tirou da EA o direito de usar sua imagem nos times do país. “Queremos pagar, mas não sabemos para quem. Não existe uma entidade no Brasil que receba pelos jogadores”, diz Lopes. Judicialmente, o caso continua sem conclusão.

Já a Konami resolveu negociar com cada time e cada jogador, e traz o Campeonato Brasileiro como um de seus destaques. Na versão que chega às lojas, Corinthians, Cruzeiro, Palmeiras e Figueirense estarão com licenciamento completo. Santos e Flamengo já fecharam acordo, e estarão disponíveis para download posterior. “Temos negociações abertas com mais sete times do campeonato”, avisa Hosoda.

Flash

Bola fora. Em times que ainda não tem contrato com a Konami, jogadores aparecem com nomes e feições “de mentira”. Kaká virou “Kadá” e Rogério Ceni virou “Rojeio”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave