Quatro anos depois, Civic Si está de volta

Esportivo da Honda retorna ao Brasil com carroceria cupê e motor mais forte

iG Minas Gerais | Raimundo Couto |

Honda Civic Si 2015
Raphael Panaro/CZN
Honda Civic Si 2015

Toda marca precisa ter um produto que eleve sua imagem, a represente em um nicho no qual a exclusividade fale mais alto. No caso da Honda, essa função coube à versão esportiva do Civic, denominada Si, e que nasceu em 1986. A configuração é uma velha conhecida do brasileiro, uma vez que já esteve em oferta em nosso mercado de 2007 a 2010. Agora retorna ao país, mas, em comum com o seu antecessor, leva apenas o nome.

De cara, ao invés da proposta mais familiar que um sedã, como a antiga versão sugeria, o novo Si aposta um visual muito mais agressivo, proporcionado pela carroceria cupê.

Antes o modelo era fabricado no Brasil, na planta da Honda em Sumaré (SP) e contava com motor 2.0 de 192 cavalos. Importado, vem agora do Canadá, da cidade de Alliston, e é empurrado por um motor, também de aspiração natural, como o do antecessor, mas com 2,4 litros e 206 cv de potência. Estará disponível em parte da rede de concessionários no fim deste mês e será uma das atrações da Honda em seu estande durante o Salão do Automóvel de São Paulo.

Por que em apenas em algumas revendas? Serão apenas cem as unidades importadas até o fim deste ano, e a cota para 2015 ainda não está definida. Os que estão desembarcando em território brasileiro serão distribuídos entre concessionários que contêm em seu rol de clientes com os antigos compradores do Si, quando foi fabricado aqui.

As cidades em que serão vendidos, em um primeiro momento, são: Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. Renovado, mais jovem e com cores mais vivas, o novo Si tem preço compatível com sua exclusividade: R$ 119,9 mil.  São de série, o teto solar elétrico, faróis de neblina, traseiro, som com seis falantes e subwoofer, ar-condicionado digital, sistema multimídia e de telefonia com tela de sete polegadas sensível ao toque (GPS não está disponível), espelho retrovisor eletrocrômico e volante multifuncional. Airbags frontais, laterais e de cortina, ABS e controle de estabilidade completam o pacote.

Cupê convida a acelerar

A Honda mostra com a versão Si do Civic que a tendência de downsizing, na qual se extrai máxima potência em blocos de menor capacidade cúbica, não a apetece. O propulsor 2.4 i-VTEC do esportivo rende 206 cv a 7.000 rpm. O torque aumentou e mostra seu vigor, entregando força, em giros mais baixos. Os 19,2 kgfm a 6.100 rotações passaram para 23,9 kgfm a 4.400 rpm. O motor foi projetado para oferecer uma aceleração forte e linear com baixo consumo e, consequentemente, baixas emissões de poluentes.

Acoplado ao bloco só há a opção da transmissão manual de seis marchas. O cupê de tração dianteira traz ainda o auxílio de um diferencial autoblocante (LSD) – para uma melhor distribuição de força entre as rodas.

Impressões

A apresentação do Civic Si aconteceu na pista particular da fazenda Capuava, em Indaiatuba (SP). Hábitat ideal para tentar domar a fera. Escolhemos um Si na chamativa cor perolizada Laranja Fire. Ao entrar no carro, logo o visual interno também instiga. Os bancos com costuras vermelhas, o painel, as pedaleiras esportivas e o câmbio manuseado por uma alavanca curta, convidam, por si só, o motorista a experimentar uma tocada diferente.

O barulho do motor de 206 cavalos é comportado e como um bom propulsor de aspiração natural, ele arranca dócil, e, à medida que se pisa com mais força no pedal direito, o giro sobe, e ele responde com precisão. Basta atingir os 4.000 rpm para começar a “mostrar as unhas”, e assim que a luz vermelha se acende à esquerda do velocímetro digital, junto com outro grupo de luzes, é hora de trocar as marchas, sem necessidade de desviar o olhar da pista.

Estável e de suspensão firme, o Si contorna as curvas do circuito sem demonstrar insegurança, e, se por ventura o condutor se entusiasmar, o controle de estabilidade também está lá para garantir a volta ao traçado. As suspensões seguem a conhecida receita do Civic: independente nas quatro rodas (McPherson nas dianteiras, multibraços nas traseiras). Geralmente, esportivo não combina com conforto. No Civic Si não é bem assim. A suspensão é macia no rodar, e os bancos “abraçam” o condutor. E com bons apoios laterais, o corpo não escorrega a cada curva mais fechada.

Destaque também para a caixa de transmissão manual de seis marchas.

Rivais

Por enquanto, o único concorrente direto do Civic Si é o VW Golf GTI, que custa R$ 13 mil a menos e com proposta diferente para construção do propulsor: ele tem 2,0 l e turbo que rende 220 cv de potência e 35,7 kgfm de torque. Além disso, utiliza um câmbio automatizado de dupla embreagem. Sem falar do Renault Mégane RS, que de promessa deve se transformar em realidade ainda este ano. Mas ai o buraco é mais embaixo. São 265 cavalos de potência extraídos de um motor de 2.0. Esta briga promete.

O jornalista viajou a convite da Honda

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