Mostra traz terror brasileiro

iG Minas Gerais | Bárbara França |

“Encarnação do Demônio”, de Zé do Caixão, abre mostra
Fox Filmes/Divulgacao
“Encarnação do Demônio”, de Zé do Caixão, abre mostra

Muito além de Zé do Caixão. A mostra “Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo”, em cartaz no Cine Humberto Mauro a partir da próxima sexta-feira, dia 24, apresenta uma programação que surpreende quem acreditava que o terror produzido no país se resumia apenas ao veterano personagem de cartola e unhas gigantescas. Claro, nada tira o mérito de José Mojica Marins, cineasta e ator que deu vida ao vampiro, na popularização do gênero em solo tupiniquim.

Um de seus filmes inclusive, o “Encarnação do Demônio”, lançado em 2008, que encerra a trilogia protagonizada por Zé do Caixão iniciada em 1964, dá início à aventura. Mas um total de 38 obras repletas de psicopatas, coveiros, lobisomens, zumbis, demônios, exorcistas, mães alucinadas, monstros, detetives e vários outros tipos vão mostrar que o terror brasileiro é tão horripilante quanto rico.

Disso o curador da mostra, o jornalista, crítico e professor Marcelo Miranda, sabe bem. Fascinado pelo terror desde criança, ele caracteriza o gênero como aquele que leva o leitor e/ou espectador a se embrenhar por mundos desconhecidos e, eventualmente, sentir medo e apreensão, sendo o horror e o mistério os elementos que mais aparecem nos frames das produções nacionais. Dentre os 23 longas e 15 curtas-metragens que compõem a “Medo e Delírio”, Miranda destaca os filmes de Rodrigo Aragão, Paulo Biscaia e os filmes de Marcelo Dutra e Juliana Rojas.

“O primeiro, diretor do Espírito Santo, fez uma trilogia de monstros da natureza que se tornaram clássicos instantâneos nos últimos anos e tiveram grande circulação em festivais fora do Brasil, como ‘Mangue Negro’ e ‘A Noite dos Chupacabras’. Biscaia, diretor do Paraná, mescla elementos da cultura pop ao horror mais genuíno, em filmes muito divertidos e sangrentos que podem ser vistos em ‘Morgue Story’ e ‘Nervo Craniano Zero’. Vale fazer dobradinha com os filmes de Ivan Cardoso, ‘O Escorpião Escarlate’ e ‘Um Lobisomem na Amazônia’. A dupla paulista Dutra e Rojas desenvolve um trabalho muito consistente e de clima único e sufocante, vistos em ‘Trabalhar Cansa’ e ‘Quando Eu Era Vivo’”. Miranda ainda sugere atenção aos filmes policiais e aos curtas.

Origens

Segundo o curador, em vez de focarem nos anos 1960 ou no cinema popular paulista dos anos 70 e 80, quando o gênero do terror mais fervilhava, a ideia de recortar a programação no período que compreende os anos 1990 e 2000 teve o intuito de discutir esse momento pouco explorado. “A partir do período chamado de Retomada, a produção de terror se torna tímida, quase escondida, pois não era ‘nobre’ fazer filmes de gênero num momento em que o cinema brasileiro tentava justificar sua própria existência diante da sociedade após a crise no governo Collor. Mas, ainda assim, vários títulos surgiram, mesmo que não admitissem ser filmes de terror. É um recorte inédito em mostras do Brasil”, explica.

Como forma de aprofundar melhor o tema, completam a programação as palestras “Cinema de horror: das origens ao abrasileiramento” e “Medo de quê? Uma história do horror no cinema brasileiro” e o debate “Cinema de terror: um gênero brasileiro?” com as diretoras Juliana Rojas e Gabriela Amaral Almeida.

Mostra Medo e Delírio Cine Humberto Mauro (av. Afonso Pena, 1537, Centro - 3236-7400). De 24/10 a 12/11. Entrada franca.

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