Pilotos iraquianos treinam jihadistas para comandar caças

Grupo que monitora conflito diz que pessoas viram os voos a partir do aeroporto de al-Jarrah

iG Minas Gerais |

Esperança.
 Mais de 200 estudantes sequestradas em abril pelo grupo Boko Haram podem ser libertadas, segundo o governo nigeriano
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Esperança. Mais de 200 estudantes sequestradas em abril pelo grupo Boko Haram podem ser libertadas, segundo o governo nigeriano

BEIRUTE, Líbano. Pilotos iraquianos que se uniram ao grupo Estado Islâmico (EI) na Síria estão treinando jihadistas para conduzir três caças capturados durante os combates, disse nesta sexta um grupo que monitora o conflito sírio, acrescentando ser essa a primeira vez que os extremistas islâmicos se voltam para o ar. Os aviões capturados sobrevoam o aeroporto militar sírio de al-Jarrah, em poder do EI, a leste de Alepo, no norte da Síria, disse Rami Abdulrahman, que dirige o grupo de monitoramento Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede em Londres, citando testemunhas. A zona rural a leste de Alepo é uma das principais bases do grupo jihadista na Síria. “Eles têm treinadores, oficiais iraquianos que antes foram pilotos para (o ex-presidente iraquiano) Saddam Hussein”, disse Abdulrahman. “Pessoas viram os voos, eles voaram muitas vezes a partir do aeroporto e estão voando em área fora do aeroporto e retornando”, completou o dirigente do Observatório.

Não ficou claro se os jatos estão equipados com armamento ou se os pilotos poderiam voar longas distâncias nesses aviões, que testemunhas disseram parecer modelos MiG 21 ou MiG 23, capturados do Exército sírio. A agência de notícias Reuters não conseguiu checar as informações na Síria.

Não sabe. O Comando Central dos Estados Unidos disse não estar a par de que o EI esteja de posse de jatos na Síria. “Nós não estamos cientes de que (o EI) esteja realizando qualquer operação de voo na Síria ou em outro lugar”, disse o porta-voz do Comando Central dos EUA, coronel Patrick Ryder.

O EI tem usado regularmente armas capturadas dos Exércitos da Síria e do Iraque e ocupou várias bases militares, mas essa teria sido a primeira vez em que foi capaz de pilotar aviões. “Nós continuamos a manter um olhar atento sobre a atividade (do EI) e continuaremos a conduzir ataques contra seus equipamentos, instalações, combatentes e centros de poder, onde quer que estejam”, acrescentou Ryder. Forças lideradas pelos EUA estão bombardeando bases do grupo jihadista na Síria e no Iraque.

Toque de recolher. O Iraque impôs um toque de recolher em Ramadi, no oeste do país, com receio de que o EI tente avançar na cidade, que lhe é de importância estratégica. A medida faz parte de esforços para limitar a entrada e saída de pessoas na cidade, enquanto tropas do governo se preparam para eliminar grupos de resistência.

Nas últimas semanas, o EI tem conquistado posições em Ramadi contra os militares iraquianos, apesar dos bombardeios realizados pela coalizão liderada pelos EUA.

12 mil mortos

Minorias. Mais de 12 mil civis foram mortos no Iraque neste ano, principalmente pelo Estado Islâmico, e os membros das minorias são as principais vítimas, de acordo com um relatório publicado nessa quinta pelo Grupo Internacional para Direitos de Minorias. Segundo o documento, diversas comunidades minoritárias, incluindo cristãos, yazidis e turcos, enfrentam uma limpeza étnica e sofrem ameaça de extinção. No mesmo dia da divulgação do relatório, atentados em Bagdá deixaram pelo menos 38 mortos e quase cem feridos.

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