Ex-presidente do PSDB teria recebido R$10 mi, diz delator

Costa denuncia esquema de propina na direção de partido

iG Minas Gerais |

Depoimento. Segundo Costa, o ex-senador Sérgio Guerra teria participado de negociação em 2009
Jonas Pereira/ Agência Senado
Depoimento. Segundo Costa, o ex-senador Sérgio Guerra teria participado de negociação em 2009

Brasília. Num dos depoimentos da série da delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que o então presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra – morto em março desse ano –, o procurou e cobrou R$ 10 milhões para que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, aberta em julho de 2009 no Senado, fosse encerrada.

Segundo Costa, o dinheiro foi pago pela Construtora Queiroz Galvão (citada no caso de superfaturamento e desvios da Abreu e Lima) e seria usado para a campanha de 2010.

Histórico. Naquele período, a CPI foi criada a partir de um requerimento do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) para investigar desvios na construção da refinaria de Abreu e Lima e terminou sem qualquer resultado concreto.

No início, a CPI provocou desgaste no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas depois começou a ser vista como um problema por integrantes de vários partidos. As investigações naquele momento estariam afugentando importantes doadores de campanha. E apesar da oposição ser minoritária na CPI, as empreiteiras temiam prejuízos que poderiam sofrer com a repercussão na mídia.

A CPI criada em 2009 para investigar a Petrobras não foi adiante. Foi instalada em julho e acabou em novembro. E Sérgio Guerra e o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) abandonaram a comissão no fim de outubro, alegando que o governo, por ser majoritário, impedia qualquer investigação.

As informações sobre o ex-presidente do PSDB e dos demais políticos mencionados por Costa foram encaminhadas ao ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá ao ministro decidir se manda a Polícia Federal abrir inquérito sobre cada um dos políticos mencionados pelo ex-diretor da Petrobras.

Nota

PSDB. É a primeira vez que um nome do partido aparece no escândalo da Petrobrás, e a direção divulgou nota defendendo que o caso seja investigado. “O PSDB defende que todas as denúncias sejam investigadas com o mesmo rigor, independentemente da filiação partidária dos envolvidos e dos cargos que ocupam”.

Já a construtora Queiroz Galvão afirmou, via assessoria, que só repassa dinheiro a políticos por meio de “doações rigorosamente dentro da lei”.

Senado

2009. Dos 11 membros, três eram da oposição: Guerra, Dias e Antônio Carlos Magalhães Filho (DEM-BA). A CPI acabou desacreditada e terminou em novembro de 2009, sem que nada de concreto tenha sido apurado.

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