Dilma e Aécio ressuscitam 'mentirosos e caluniadores' em debate

Os dois candidatos acusaram 16 vezes um ao outro de mentir ou dar informações erradas no SBT; eles fizeram lembrar Orestes Quércia da década de 90

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa e Lucas Ragazzi |

Dilma e Aécio acusaram o rival de mentir oito vezes cada
SBT / Reprodução
Dilma e Aécio acusaram o rival de mentir oito vezes cada

O tom áspero do debate entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), no encontro realizado no SBT, na última quinta-feira (16) fez muita gente lembrar dos encontros antigos, sobretudo na década de 80 e 90, quando os candidatos quase saiam aos tapas em plena televisão.

Um deles, em especial, que se travou entre jornalistas e o candidato a presidente da República pelo PMDB, Orestes Quércia, em 1994, entrou para a história por conta das repetidas vezes em que o já falecido ex-governador de São Paulo referiu-se ao jornalista Rui Xavier, do jornal "O Estado de S.Paulo" como "mentiroso e caluniador". No fim, o que se viu foi a troca de farpas selvagem entre eles, que se acusavam de mentir e caluniar (veja o vídeo mais abaixo).

No debate entre Dilma e Aécio, eles não chegaram a tanto, mas por diversas vezes, um acusou o outro de mentir ou dar informações erradas. Isso de fato aconteceu em alguns casos, como pode ser visto clicando aqui. No entanto, em vários outros momentos, o objetivo era mesmo tirar a legitimidade do que dizia o adversário. No total, Dilma e Aécio repetiram a fórmula 16 vezes em pouco mais de 1h de debate. Cada um, oito vezes.

Aécio foi mais incisivo na palavra "mentira". Dilma começou falando mais em "desinformação", até transformar o termo em "confusão deliberada" e, depois, "mentira". Se formos levar a sério as acusações dos dois, não poderemos mais acreditar em todo o resto que falaram.

As acusações de mentira e desinformação:

AÉCIO:

"Não coloque palavras na minha boca. Quem foi contra o Pronatec?"

"A senhora desrespeita Minas com as mentiras nas redes sociais, anonimamente"

"Candidata, a senhora está mentindo para o Brasil. Nepotismo é proibido por lei. Não existe parente trabalhando no governo"

"Candidata, eu acho que dizer uma inverdade em um momento pode ser um equívoco. Repeti-lo mais uma vez, aí isso já tem outro nome. Não foram R$ 5 milhões de pessoas, foram R$ 5 milhões de famílias"

"A sua campanha é a campanha da mentira. A senhora mentiu dizendo e postou vídeo que votei contra o salário-mínimo. A senhora disse que Minas teve a menor taxa de redução de mortalidade. Mentiu, candidata. A senhora disse no último debate que construiu 3 milhões 750 mil casas. A senhora mentiu. Construiu metade. Fale a verdade"

"As senhora não tem programa de governo e prefere a campanha da mentira (...). A senhora não tem nada mostrar aos brasileiros e por isso precisa mentir tanto o tempo inteiro?

"A senhora tenta mascarar a realidade, candidata".

"É muito triste ver uma presidente da República mentindo. O aeroporto de Cláudio foi construído em uma área desapropriada".

DILMA:

"Candidato, acho que aqui quem mente é o senhor"

"O senhor manipula palavras. O senhor diz que atacar o senhor é atacar Minas. Isso é uma mentira. Mentira pois Minas não é o senhor".

"Candidato, o senhor falou que fizeram Bolsa Família para 20 milhões de pessoas? Pensa bem no que o senhor está falando. Vocês nunca fizeram"

"O senhor está confundindo todas as obras, acho, deliberadamente"

"O senhor está mal informado, candidato. O governo gastou R$ 17 bilhões em segurança"

"Candidato, eu acho que o senhor está usando números incorretos"

"Eu acredito que você de fato não tem conhecimento. Você não sabe onde está o metrô"

"O senhor tem de informar melhor. As obras estão andando".

E, para lembrar, o vídeo do barraco do então candidato à Presidência, Orestes Quércia, no Roda Viva de 1994:

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