Com determinação, brigadistas treinados fazem a diferença em Minas

Corpo de Bombeiros destaca a importância da contribuição social, principalmente, no combate aos focos de incêndio

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

Com poucos recursos, mas com força de vontade, determinação e conhecimento técnico, os brigadistas buscam conter princípios de incêndio em vegetações de Minas Gerais. Mesmo com altas chamas e muitas vezes sozinhos, essas pessoas, preocupadas com o meio ambiente, dedicam o seu tempo e esforços a controlar os focos.

No vídeo do repórter fotográfico Douglas Magno, brigadistas falam sobre o trabalho, que parece de formiguinha, mas que tem feito grande diferença em Minas Gerais. Assista.

O combate aos incêndios florestais tem se tornado cada vez mais difíceis para o Corpo de Bombeiros, visto que, apenas do ano passado para cá, houve um aumento de 413% dos focos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Minas Gerais, sozinho, é responsável por 24% das queimadas do Brasil que tem como principal causa para o aumento o prolongamento do período de seca, somado às altas temperaturas, à baixa umidade do ar e à intervenção humana. Com isso, a atuação voluntária de brigadistas é mais que bem-vinda.

Em Mateus Leme, na região metropolitana de Belo Horizonte, por exemplo, o webdesigner Alexandre Gonçalves, de 29 anos, é um desses voluntários que busca, contribuir para a não propagação de queimadas na Serra do Elefante. “Sempre que eu tenho disponibilidade eu vou e às vezes até largo o que estou fazendo para ajudar a preservar a natureza”, conta o brigadista que desde 2012 faz parte da Brigada 1.

A Organização Não Governamental foi criada em 2003 com o objetivo de atuar, de modo voluntário, na prevenção e combate a incêndios florestais. Hoje, segundo o presidente da Brigada 1, André Rocha, o grupo já é referência em combate a incêndio florestal em Minas Gerais. “Temos pessoas de várias idades e formações. O que importa é a vontade de fazer a sua parte, agindo de forma coletiva, coordenada, treinada”, detalhou.

Os bombeiros reconhecem a relevante contribuição dos brigadistas, mas ressaltam a necessidade de preparação, para que essas pessoas não venham a se tornar vítimas. “Eles ajudam a conter o foco antes de se tornar um grande incêndio, fazem o primeiro combate e isso é muito importante (...) Mas apesar de ter boa vontade, precisam de orientação, porque é uma atividade perigosa, cansativa e que requer técnica”, destacou o capitão Thiago Miranda, assessor de comunicação da corporação.

Inclusive, o Corpo de Bombeiros oferecem um treinamento gratuito com noções de combate a incêndio e também de primeiros socorros, com a intenção de evitar acidentes e até mortes, como as que aconteceram em Carrancas, no Sul de Minas, nessa semana, quando dois homens morreram e um brigadista teve 40% do corpo queimado, tentando apagar as chamas em uma serra.

Quem pode ser voluntário

De acordo com a Brigadas 1, todas as pessoas com mais de 18 anos podem se tornar brigadistas. É necessário passar pelo treinamento teórico e prático de dois fins de semana - com Corpo de Bombeiros, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e Secretária de Estado de Meio Ambiente - e apresentar atestado médico, que vai definir se a pessoa pode atuar no combate ao fogo, devido a uma boa condição física ou se ela poderá ajudar com a logística das operações e setor administrativo.

Os interessados, podem entrar em contato com o Brigadas 1 pelo e-mail correio@brigada1.org.br ou pelo site www.brigada1.org.br. Todo os anos são formadas entre 25 a 30 pessoas em cada um dos núcleos em Belo Horizonte, Mateus Leme, Ouro Preto, Sacramento e São João del-Rei. Na capital, o grupo conta com cerca de 50 pessoas, que são acionadas e atuam dentro de suas disponibilidades.

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