A mais pulverizada legislatura

Câmara dos Deputados terá em 2015 representantes de 28 dos 32 partidos em atuação no país

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Eleito, Marcelo Aro está cotado para ser líder de bancada do PHS
CMBH/DIVULGAÇÃO - 8.11.2014
Eleito, Marcelo Aro está cotado para ser líder de bancada do PHS

Dos 32 partidos políticos legalmente registrados no Brasil, 28 vão ter ao menos um representante na Câmara dos Deputados a partir do ano que vem. A 55ª legislatura, que começa em fevereiro de 2015, será a mais fragmentada da história do Legislativo. Hoje são 22 os partidos representados que serão somados a PHS, PTN, PRP, PSDC, PTC e PRTB. Em meio a tantas siglas, alguns partidos apresentam histórias bastante curiosas.  

É o caso do Partido Trabalhista Cristão (PTC), que elegeu dois deputados – entre eles a mineira Brunny. A legenda tem origem no finado Partido da Juventude (PJ), que depois se tornou Partido da Reconstrução Nacional (PRN) e serviu de apoio para Fernando Collor ser eleito presidente da República em 1989. Afetado com a renúncia de Collor, que tornou o PRN ainda mais nanico, a sigla mudou de nome pela segunda vez.

Outro nanico que elege representantes pela primeira vez é o Partido Trabalhista Nacional (PTN) que, curiosamente, é o segundo mais antigo do país. A sigla é uma das poucas que já esteve à frente da Presidência, com Jânio Quadros – entre janeiro e agosto de 1961 – e adota até hoje a “vassoura” como símbolo, em alusão à campanha que prometia “varrer a bandalheira”. Agora, com quatro deputados eleitos – entre eles o vereador da capital Edson Moreira, o PTN quer se renovar.

“Estamos reescrevendo todo o programa do partido e vamos repensar a bandeira dele, o trabalhismo, que é uma coisa muito ligada ao getulismo. Hoje não tem muita aplicabilidade”, conta a vice-presidente da legenda, Renata de Abreu, eleita deputada.

O PHS é o nanico que elegeu maior número de deputados: cinco. A sigla chegou a ter dois representantes eleitos no pleito passado, mas ambos deixaram a legenda depois de assumirem suas cadeiras. Agora, com cinco nomes, terá estrutura para eleger um líder da bancada – que deve ser o vereador de Belo Horizonte Marcelo Aro – e, com isso, poderá participar de reunião do colégio de líderes e encaminhar a posição da bancada na votação de um determinado projeto.

Questionado se o número de partidos no país não é grande demais para o que comportaria o espectro político, o presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, diz que a quantidade mostra uma “maturidade da democracia”. “Na época do bipartidarismo, só a elite conseguia se candidatar, e a nata da elite conseguia ser eleita. Graças ao pluripartidarismo, conseguimos eleger um feirante vereador no Rio de Janeiro”, afirma Machado.

Debates. Eterno candidato à Presidência, Levy Fidélix (PRTB) já confirmou que disputará o cargo novamente em 2018. E, graças aos votos do ex-prefeito de Maceió Cícero Almeida, eleito deputado federal, terá presença garantida nos debates do próximo pleito. Ausente nos debates deste ano, Eymael (PSDC) também estará na TV em 2018, se for candidato. Seu partido elegeu dois nomes para a Câmara. As emissoras são obrigadas a convidar para os debates apenas os candidatos cujos partidos tenham representação na Câmara.

Filiados ilustres

PTN. Jânio Quadros (ex-presidente da República), Celso Pitta (ex-prefeito de São Paulo) e Paulo da Portela (sambista).

PTC. Zé do Caixão (cineasta), Clodovil Hernandes (estilista e ex-deputado federal) e Ronaldo Ésper (estilista).

PRTB. Fernando Collor de Mello (ex-presidente da República – atualmente no PTB) e sua esposa Rosane.

PSDC. José Maria Eymael (ex-candidato a presidente). PRP. Ademar de Barros Filho (filho do ex-governador de São Paulo Ademar de Barros).

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave