Sorvetes e picolés do Cerrado no Norte de Minas

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acir galvao
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Em Pirapora, pode-se encontrar uma franquia da ótima Frutos do Cerrado. Calor extremo como o desses dias pede picolé trincando os dentes de gelado, até para dar tempo de chupá-lo antes que suje a roupa. Em Montes Claros, tem os Sabores do Cerrado, iniciativa de empreendedores locais. O mérito de se trabalhar com frutas nativas, como o umbu e o cajá, deve ser reconhecido, mas o resultado ainda deixa a desejar, pelo menos quando a comparação é feita com a concorrência goiana, que tem filial piraporense e não erra a mão nas suas fórmulas. Embora invente pouca moda, a Frutos do Cerrado explora toda a diversidade que o bioma ameaçado é capaz de oferecer. A sutileza excessiva da empresa norte-mineira e as misturas nem sempre bem-sucedidas contrastam com a maestria da empresa de Goiás, que também tem fábrica em Uberlândia. Nesta, imperam aromas e gostos intensos, como o da cagaita, da siriguela, do murici ou do taperebá. Subtrair-lhes a acidez ou doçura naturais, acrescentando cremosidade indevida, não me parece um bom caminho. Ao contrário, para que as frutas cumpram o papel de frescor que delas se espera, é essencial realçá-las em combinações simples, normalmente com água. Mama cadela, bacuri, gabiroba... são inúmeras as opções. Até o trivial abacate torna-se especial, no caso com adição de leite. E no topo do pódio, a rainha mangaba, tanto no picolé quanto no sorvete, digno de figurar nos mais requintados cardápios do planeta. Já na sorveteria Sabores do Cerrado, em Montes Claros, o campeão é o pequi e isso se explica porque a opulência da fruta justifica certa atenuação de sua personalidade. Continuo na torcida para que a Frutos do Cerrado entre com força total em BH, pois o mercado da capital está carente de opção do gênero. E, de outra parte, sugiro à empresa de Montes Claros que aprimore seu cardápio, começando por restringi-lo às opções com maior sucesso de bilheteria. Se não é um parâmetro definitivo, ao menos pode garantir continuidade e depuração das experiências. Em Pirapora, na busca de alternativas gastronômicas, fui achar quase em frente ao bom e caro Egnaldo, só que do outro lado do rio, a cozinha da pousada Sertão Veredas, no município de Buritizeiro. Valeu à pena. Moqueca de surubim muito bem temperada, com pescado de ótima qualidade, branquinho, macio e em postas altas, já livres da pele e da gordura adjacente, muitas vezes causadora de desgosto do paladar. O pirão também estava gostoso e o arroz, correto. Os preços são um pouco menos salgados que os do Egnaldo. Assim, a relação custo-benefício acaba sendo semelhante, a menos que você seja um gourmet ávido de novidades, disposto a ir longe para conhecer mais do mesmo. Alternativa razoável, se a pedida principal for a cerveja gelada, na companhia de um curimatã ou surubim à milanesa, com guarnições de fritas, arroz e salada simples de tomate, cebola e alface é o quiosque Tô a Tôa, no largo calçado junto à orla, na parte central da cidade. Atendimento razoavelmente rápido, informal, na linha boteco. Enquanto eu comia, observava a criançada na praça, andando de bicicleta, skate, ou correndo simplesmente. Precisa-se de tão pouco para se ter uma beira de rio decente. Basta não dar as costas ao rio. Pirapora é exceção até a fronteira baiana, ainda que o poder público devesse ter valorizado o paisagismo e a arborização, evitando a aridez que o lugar apresenta durante o dia. Januária, charmosa, com patrimônio histórico que a situa entre as 15 cidades mineiras mais significativas nesse quesito, andou para trás, décadas a fio. E até hoje não dá mostras de mudança substantiva no trato dado ao espaço público.

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