‘Canto, danço, interpreto e sapateio’

Mineiro de Divinópolis, Rainer Tenente dedica sua carreira aos musicais, gênero cada vez mais forte no país

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Formação. Ator é criador do Centro de Estudos e Formação em Teatro Musical (CEFTEM), no Rio de Janeiro
LEO AVERSA / divulgação
Formação. Ator é criador do Centro de Estudos e Formação em Teatro Musical (CEFTEM), no Rio de Janeiro

A trajetória do mineiro Rainer Tenente é cheia de idas e vindas. Aos 18 anos, ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde se graduou e pós-graduou em artes cênicas, com foco em preparação corporal. Depois, foi viver na Suécia para trabalhar, por dois anos, com uma companhia de atores performáticos. De volta ao Rio de Janeiro, Tenente foi convidado por João Fonseca para fazer parte do bem-sucedido musical “Tim Maia”, com boa repercussão de seu trabalho. Agora, aos 29 anos, ele é uma das apostas de Fonseca no musical “O Grande Circo Místico”, que se apresenta neste fim de semana no Cine Theatro Brasil.

Esse espetáculo contou com um teste de elenco muito disputado. Você se sente privilegiado por faze-lo?

A minha responsabilidade é ainda maior, porque fui convidado para fazer o espetáculo, não fiz as audições. O Clown é um personagem mítico para quem faz teatro. Corri muito atrás, pesquisei bastante e acho que consegui imprimir minha marca nesse personagem tão importante.

Soube que o espetáculo exigiu que os atores aprendessem alguma técnica circense. Como foi isso pra você? Já tinha alguma experiência com o circo?

Ficamos reunidos em um espaço onde fazíamos as leituras do texto, ensaios e também aprendíamos técnicas circenses. Eu não tinha nenhuma experiência, mas achei incrível essa oportunidade. Ser ator é isso, estar sempre aprendendo coisas novas e se aprimorando. Foi especial fazer algo que nunca tinha feito, como aprender a andar de monociclo. Foram 60 dias treinando até conseguir, e, para isso, como em qualquer desafio da nossa carreira, é preciso determinação.

Como é voltar para Belo Horizonte com um espetáculo de produção tão elogiada?

Voltar para o meu Estado é sempre especial. Quando vim aqui com “Tim Maia”, senti uma grande emoção por estar de volta com uma carreira já se consolidando. Voltar agora, com “O Grande Circo Místico”, também será especial, por toda essa experiência nova que a peça me proporcionou e por me sentir cada vez mais maduro como ator. A cada trabalho que faço, sinto que vou crescendo um pouco mais.

Sobre o mercado de musicais no Brasil, como você o avalia?

É um mercado que está crescendo muito e, por isso mesmo, exigindo cada vez mais dos atores. É preciso dominar todas as técnicas do teatro musical (canto, dança e interpretação). Esse movimento é relativamente novo e existe ainda muita dificuldade na formação do ator de teatro musical. O brasileiro é um povo bastante musical, por isso esse tipo de espetáculo vem ganhando cada vez mais espaço. Acho que é um caminho sem volta, vamos ter realmente, nos próximos anos, uma indústria de musical grande. Mas, como disse, isso ainda é muito recente, e estamos experimentando até achar o nosso estilo próprio.

E você tem investido na linguagem para além de ser ator, certo?

Organizei dois seminários no Rio para discutir o teatro musical brasileiro, e foram experiências incríveis, já que pudemos observar exatamente esse movimento. Estou trazendo um pouco dessa minha experiência para BH também. Esse fim de semana vou dar um workshop de Teatro Musical. Acredito que é importante levar essa formação para fora do Rio e de São Paulo. Lembro que tive que sair de Minas para conseguir meus objetivos, mas o ideal é que possamos estimular que outros centros também desenvolvam o teatro musical brasileiro.

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