Apoio sem volta ou eventual?

Partido redefine caminho ao deixar a tradicional parceria com o PT e se alinhar ao PSDB na eleição

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

A decisão de apoiar a candidatura do senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB) no segundo turno é interpretada por lideranças do PSB de Minas como “um caminho sem volta” pelos próximos anos. Mais do que apenas uma escolha de candidatos, eles garantem que o partido definiu “seu lado”, o que o coloca, pela primeira vez desde as eleições anteriores, mais próximo do campo da “direita” e, consequentemente, distante do “S” do socialismo.

Desde a redemocratização, o PSB esteve ligado aos petistas. Em cinco das últimas seis eleições presidenciais, os socialistas declararam apoio ao PT, inclusive ocupando cargos nas administrações do ex-presidente Lula e no primeiro governo de Dilma Rousseff. Neste ano, no entanto, o apoio aos tucanos teve adesão da maioria da direção nacional, apesar de ter causado rompimentos internos. Tanto que, após a morte do presidenciável Eduardo Campos, foi preciso uma mudança de direção da legenda – com a saída de Roberto Amaral – para a viabilização do apoio a Aécio Neves. No atual cenário eleitoral, que gerou um racha até nas executivas do partido nos Estados, integrantes do PSB divergem de quase todos os temas, exceto sobre o novo rumo definido pela sigla: a relação direta com os tucanos veio para ficar. Fundador do partido em Minas, Waldo Silva diz que o processo de afastamento do PT não é novo, apesar de em anos anteriores não ter ocorrido de forma tão clara. “Não tenho esperança de que o partido se recomponha. Se tornou uma sublegenda do PSDB”, acusa o ex-dirigente, que cita a relação das duas siglas na Prefeitura de Belo Horizonte, com Marcio Lacerda. Um passo considerado importante para o rompimento de vez com o PT foi a morte do ex-governador Eduardo Campos. No passado ele se dizia a favor da aliança nacional com os petistas, e nos Estados aprovava a aproximação com o PSDB, como é o caso da capital mineira. A situação mudou, porém, depois que Campos se lançou à Presidência. Apesar de ter se candidatado ao governo de Minas neste ano pelo PSB, Tarcísio Delgado diz que o apoio ao PSDB não é aceito pela ala mais tradicional, que acusa a direção nacional de “fazer política com o fígado”. “Sempre atuamos na esquerda. Esse apoio nacional foi um salto à direita. Nesse apoio ao PSDB há muita mágoa e ódio com relação ao PT.” Justificativa. Defensor da aliança com os tucanos, o presidente do PSB de Belo Horizonte, João Marcos Lobo, alega que a união com os tucanos ocorreu “de forma programática” e confirma que se os compromissos assumidos pelo PSDB forem cumpridos, a tendência é “manter a aliança”. “É cedo para falar do futuro, mas a aliança levou em consideração pontos defendidos pela gente”, afirma. Lobo nega a aproximação com os partidos conservadores. “O PT é que está perto de partidos da direita, como o PR e o PP. Quem fez aliança buscando esse campo foram eles.”

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