Uma guitarra e nada mais

Dos cinco melhores guitarristas do mundo, o músico se apresenta hoje à noite, em único show na Circus Rock Bar

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

ÍCONE. Polêmico e talentoso, Richie Kotzen assina duas linhas de guitarra com seu nome: Fender Telecaster e Stratocaster Richie Kotzen
heloisa vidal/divulgação
ÍCONE. Polêmico e talentoso, Richie Kotzen assina duas linhas de guitarra com seu nome: Fender Telecaster e Stratocaster Richie Kotzen

Richie Kotzen sempre vacilou na vida e nunca fez questão de esconder isso. Virtuoso, rebelde e muito talentoso, o músico da Pensilvânia ganhou as capas de revistas especializadas em guitarra aos 18 anos incompletos. Ex-integrante das renomadas bandas Poison e Mr. Big, foi expulso do primeiro grupo por ter um caso com a mulher do baterista. Depois, ao ser chamado pessoalmente por Ozzy Osborne para assumir as seis cordas de sua banda, acabou espalhando o boato na internet sem querer e despertou a ira do bruxo do metal, que o tirou da banda antes mesmo de sua entrada oficial. “Fiz coisas erradas. Mas não ia aguentar uma fama assustadora. Prefiro minha vida de hoje, mais anônima, ainda que eu seja reconhecido”, declarou o músico no último dia 9 de outubro, em um show intimista no Chile.

Aos 44 anos, é assim que um dos cinco melhores guitarristas do mundo também vai encarar o público mineiro hoje à noite, em único show apresentado na Circus Rock Bar. A apresentação é fruto de sua curta passagem pelo Brasil para divulgar o último álbum, “Richie Kotzen – The Essentials” (2014), que compila 23 faixas de estúdio, gravações demo e outras versões acústicas raras do seu trabalho autoral. Mesmo apresentando mais um disco acima da média, o guitarrista também chama a atenção de fãs de guitarra por outros motivos, além de seus álbuns. O estilo de tocar, que abdica da palheta e usa apenas os dedos para solar em uma técnica de extrema dificuldade, misturando rock, R&B e linhas melódicas de jazz, é uma das peculiaridades que o distinguem dos demais guitarristas de sua geração.

Além disso, Richie Kotzen foi eleito um dos compositores mais criativos de todos os tempos pela Revista Rolling Stone, mas nunca frequentou o mainstream do mundo do rock. Pelo contrário. Com uma passagem conturbada pela banda Poison, ícone do glam metal dos anos 1990, ele causou a ira de fãs ao declarar várias vezes que estar na Poison “só ajudou a crescer a conta bancária” dele e nada mais.

Atualmente, o guitarrista está à frente do The Winery Dogs, ao lado de dois ícones do metal e do rock n’ roll: o baterista Mike Portnoy (ex-Dream Theater) e Billy Sheehan (ex-baixista de Steve Vai e da Mr. Bigs).

SHOW. Com mais de 30 álbuns na carreira, Richie Kotzen teve muito trabalho para escolher as cerca de 25 músicas que englobam o seu set list, provavelmente o mesmo apresentado no Chile, no último dia 9. No palco, ele expõe canções divididas pelas bandas Poison, Mr. Big e seu projeto mais recente, The Winery Dogs, passeando por pelo menos sete álbuns da carreira. Entre as canções que estarão no repertório, “Bad Situation” e “What Is”, ambas do fim dos anos 1990, ao lado de canções mais recentes, como “Love Is Blind” e “Cannibals”, está última inédita, que estará presente em seu próximo disco solo, previsto para ser lançado até a metade de 2015.

Como o próprio Richie Kotzen declarou no lançamento do álbum “The Essentials”, as músicas que ele toca agora “são um punhado de canções para mostrar o que eu sou para os recém-chegados”. A exemplo de um cara que nunca foi de muitos amigos, não se pode garantir uma empatia exacerbada por parte do guitarrista com a plateia. Mas, se algo não mudou do adolescente precoce para o quarentão maduro, é que com uma guitarra na mão ele não precisa de argumentos ou companhias.

Programe-se

Agenda. A única apresentação de Richie Kotzen na capital mineira acontece na Circus Rock Bar (rua Raul Pompeia, 43, São Pedro), hoje, às 21h. Os ingressos custam R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada), mas todas as entradas estão esgotadas.

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