Seca provoca primeiro estado de calamidade em Minas

Formiga oficializa racionamento; Pará de Minas já decretou, mas por causa de briga com Copasa

iG Minas Gerais | Camila Bastos |

Calamidade. Leito do rio seco é o retrato trágico da crise vivida pelos moradores de Formiga
Divulgacao / Portal Ultimas Noti
Calamidade. Leito do rio seco é o retrato trágico da crise vivida pelos moradores de Formiga

A situação da seca no interior do Estado está cada dia pior. Nesta quarta, o município de Formiga, na região Centro-Oeste, decretou estado de calamidade pública por causa do problema. Trata-se da primeira cidade a tomar essa medida por causa de desabastecimento. Segundo a Defesa Civil de Minas, 155 municípios estão em estado de emergência. Segundo a prefeitura local, a falta de água atinge cerca 50% das residências, e a vazão do rio Formiga, onde é feita a captação, é de apenas 14,06% da média anual (de 670l/s). Como medidas paliativas, o Executivo instaurou o racionamento e proibiu a lavagem de carros.  

A oficialização do estado de calamidade pública foi publicada nesta quarta no “Diário Oficial dos Municípios Mineiros”, em um decreto no qual a prefeitura também explica o racionamento. O esquema de revezamento será feito em bairros alternados, nos quais para cada 12h de abastecimento, os moradores ficarão 48h sem água.

O abastecimento de água em Formiga é feito pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae). “Tem quase um mês que falta água todo dia e, agora, vamos ter que fazer esse racionamento. O pessoal precisa parar de gastar água. Senão, daqui a pouco, vai faltar”, pondera o administrador Gustavo Almeida, 32, que mora na região central da cidade.

Conforme o documento publicado pela prefeitura, caso o consumo de água continue crescendo, enquanto o nível da água e a captação diminuem, “o fornecimento de água para a população ficará impossibilitado”.

Com problemas de falta de água há mais de um ano, Pará de Minas, na região metropolitana de Belo Horizonte, decidirá no próximo mês qual empresa substituirá a Copasa na cidade. Em processo de licitação, três empresas disputam a concessão.

A cidade decretou situação de emergência em setembro de 2013, e de calamidade pública em março desse ano, mas em função dos problemas técnicos com a Copasa, não em função de seca, que só se agravou nos últimos meses.

Desde que o contrato da Copasa venceu, há cinco anos, os moradores vivem esse clima de instabilidade no abastecimento de água e, hoje, se viram como podem. A dona de casa Alessandra Carvalho Fernandes, 42, conta que lava as roupas na casa da mãe, em Belo Horizonte, a cada duas semanas, quando aproveita para abastecer alguns galões de água. Outra tática utilizada por ela, o marido e a filha pequena foi a abolição dos copos de vidros. Agora, só os descartáveis.

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Lacerda afirma que a Copasa nega problemas Mesmo diante da reclamações de vários moradores sobre falhas no abastecimento de água, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, afirmou nesta quarta que a Copasa nega problemas na rede da capital. “A Copasa não nos deu notícia, mesmo quando perguntada, de uma possível crise no abastecimento de Belo Horizonte. Na medida em que os meteorologistas estão prevendo chuvas no final do mês de outubro, então, esse risco tende a ser menor”, afirmou. Segundo ele, a capital é abastecida por três bacias. “Esses sistemas são interligados. Quando um não está bem, a água vem do outro. Nós temos na região metropolitana muitas fontes de abastecimento, inclusive pequenos sistemas que abastecem determinadas microrregiões”. Lacerda recomendou que a população faça economia. “É muito importante, nesse momento, para todos nós, lembrar as pessoas da necessidade de poupar o máximo possível”.

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