Farpas desagradam a indecisos

Outra que reclamou do tom do debate foi a balconista Edna da Silva Marcelino, 37

iG Minas Gerais | Larissa Veloso |

Lá e cá. Dilma e Aécio passaram a maior parte do debate da Band trocando alfinetadas e acusações
Reprodução/TV
Lá e cá. Dilma e Aécio passaram a maior parte do debate da Band trocando alfinetadas e acusações

A escassez de propostas no debate entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) foi notada pelos eleitores que assistiram ao programa na Band, inclusive os indecisos. “Quando eu desliguei a TV, estava mais indecisa ainda. Porque ali foi uma guerra entre os dois, um acusando o outro de várias coisas, e nenhum falou dos projetos”, reclama a auxiliar administrativa Marta Costa, 45, que ainda não definiu em quem vai votar no segundo turno.

O aprendiz de administração Igor Matheus da Silva, 17, tirou o título de eleitor, mesmo sem ser obrigado, para votar neste ano. No primeiro turno, escolheu Marina Silva (PSB), mas ainda não conseguiu se definir quanto ao próximo dia 26. Entre os temas que esperava ver no debate estavam propostas sobre o salário mínimo. Não foi o que aconteceu. “Não saí com a sensação de que conheço as propostas deles”, lamenta o adolescente.

Outra que reclamou do tom do debate foi a balconista Edna da Silva Marcelino, 37. “Eles ficam lá guerreando entre si e esquecem da gente aqui fora. Estão apenas preocupados com o cargo deles”, queixa-se. Mãe de três adolescentes – que ela tem que sustentar com um salário mínimo –, Edna queria ouvir propostas sobre o programa Jovem Aprendiz.

PRAZO. Os três eleitores têm dez dias para se decidir se votam em Dilma, Aécio ou branco. Apesar da decepção, a auxiliar Marta Costa pretende continuar apostando nos debates. “Vou assistir a todos, até o final. O que eu não quero é votar branco ou nulo. Terá que ser um ou outro”, finaliza, resignada, Marta.

Cientista diz que eleitor não quer ataques SÃO PAULO. Pelo acirramento da disputa neste segundo turno, o tom agressivo do debate entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) é considerado normal pelo cientista político da Universidade Federal de São Carlos Fernando Azevedo. No entanto, há dúvidas sobre a eficácia da tática no convencimento dos eleitores que ainda não têm candidato. “O que a gente conhece da literatura científica sobre debates é que o eleitor não gosta quando os ataques são pessoais”, avalia. Para Azevedo, o embate entre os dois foi “equilibrado”.

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