Puxada pela Petrobras, Bovespa fecha em queda

As ações da empresa registraram as maiores baixas do Ibovespa nesta quarta-feira (15), apesar de notícias favoráveis à estatal

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

As ações da Petrobras registraram as maiores baixas do Ibovespa nesta quarta-feira (15), apesar de notícias favoráveis à estatal. A queda forte do preço do petróleo zerou a defasagem entre os preços da gasolina e do diesel praticados no Brasil e no exterior. A notícia é um alívio para a situação financeira da Petrobras e o governo já cogita não reajustar os combustíveis este ano.

No entanto, o ministro Guido Mantega afirmou que a queda na cotação do barril de petróleo não implica necessariamente em não reajuste da gasolina e do diesel esse ano, e que essa é uma decisão da Petrobras. Os papéis preferenciais da Petrobras, os mais negociados, caíram 6,78%, a R$ 20,18. As ações ordinárias da companhia tiveram perda de 6,70%, a R$ 19,05.

Queda registrada

A Bolsa brasileira fechou em baixa nesta quarta-feira (15), afetada pela divulgação de dados ruins no exterior que apontam para uma desaceleração do crescimento global e também com os investidores esperando a divulgação de pesquisas eleitorais, nesta noite.O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 3,24%, a 56.135 pontos.

No mercado cambial, o dólar subiu em relação ao real nesta quarta-feira. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 2,43%, a R$ 2,455. Foi o maior avanço percentual diário desde 20 de junho de 2013, quando o dólar à vista se valorizou 3,42%.

O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, registrou alta de 2,37%, a R$ 2,457, a maior alta desde 21 de agosto de 2013, quando a moeda americana se valorizou 2,38%.

As eleições estiveram novamente no foco dos investidores nesta quarta (15), um dia após o debate entre os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) na TV Bandeirantes.

"O debate de ontem [terça, 14] foi decepcionante. O mercado esperava uma postura mais incisiva do Aécio em relação à Dilma. E faltou a apresentação de propostas. Então a Bolsa acabou devolvendo um pouco as altas do início da semana", afirma Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores.

"Houve um sentimento de que o Aécio não conseguiu se contrapor à Dilma e obter certa vantagem", concorda Joel Medeiros, supervisor da mesa de ações da corretora Geral Investimentos. Além disso, paira uma expectativa em torno da divulgação de pesquisas Datafolha e Ibope, nesta noite. "Essas novas pesquisas devem influenciar mais o mercado nesta quinta-feira. E os debates mais relevantes devem acontecer mais próximos do segundo turno mesmo", afirma Peres, da Coinvalores.

Os investidores analisaram também dados de emprego no país em setembro, que registrou o menor saldo de criação de vagas de trabalho com carteira assinada para um mês de setembro desde 2001. Segundo o Ministério do Trabalho, em setembro de 2014, foram geradas 123.785 novas vagas. Queda de 41% em relação a setembro do ano passado, quando foram geradas 211.068 vagas.

Mais cedo, o IBGE divulgou que o comércio registrou crescimento de 1,1% de julho para agosto, num primeiro sinal de melhora do nível de atividade do setor. Na comparação com agosto de 2013, o varejo mostrou uma queda 1,1%. Já nos oito primeiros meses deste ano, o setor acumula uma alta de 2,9%. A taxa em 12 meses encerrados em agosto aponta uma expansão de 3,6%.

Exterior

O dia foi marcado por pessimismo generalizado nos mercados acionários internacionais. Na Europa, as Bolsas despencaram com preocupações sobre a fraca atividade econômica global ainda assombrando os investidores. Em Londres, o índice FTSE 100 perdeu 2,83%, a 6.211 pontos. Em Paris, o CAC-40 teve queda de 3,63%, a 3.939 pontos, enquanto a Bolsa alemã encerrou o dia com desvalorização de 2,87%, a 8.571 pontos.

Na Espanha, o Ibex 35 perdeu 3,59%, a 9.838 pontos, enquanto em Milão o MIB fechou com baixa de 4,44%, a 18.304 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 caiu 3,21%, a 5.079 pontos. Os mercados americanos também fecharam em baixa. O Dow Jones caiu 1,06%, a 16.141 pontos, enquanto o S&P 500 teve perda de 0,81%, a 1.862 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 0,28%, a 4.215 pontos.

Na China, a inflação ao consumidor desacelerou mais do que o esperado em setembro, para perto da mínima em cinco anos, ampliando as preocupações de que o crescimento global está esfriando mais rápido do que o esperado a menos que governos adotem medidas mais ousadas para sustentar suas economias.

O índice de preços ao consumidor subiu 1,6% em setembro ante o ano anterior, informou a Agência Nacional de Estatísticas nesta quarta-feira (15), contra expectativas do mercado de alta de 1,7% e ante 2% em agosto. Nos Estados Unidos, as vendas no varejo caíram em setembro mesmo descontando a fraqueza em concessionárias de automóveis e postos de combustíveis, oferecendo sinal surpreendentemente cauteloso sobre a força da demanda do consumidor.

O Departamento do Comércio informou nesta quarta-feira (15) que as vendas totais no varejo recuaram 0,3% no mês. Quedas nas vendas em postos de gasolina e em concessionárias pesaram sobre a leitura. "O conjunto de dados divulgados nos EUA, na Europa e na China mostram um desaquecimento global. E isso hoje pesou bastante", afirma André Moraes, analista da corretora Rico.

Além disso, o Livro Bege do Federal Reserve (Fed, banco central americano) mostrou que a economia dos Estados Unidos continua em expansão, em ritmo entre modesto e moderado, e sem pressões inflacionárias. "Os resultados vieram abaixo da expectativa do mercado, que esperava dados mais expressivos de crescimento. As vendas no varejo em Nova York preocupam, por ser um forte centro consumidor", afirma Fabiano Rufato, gerente sênior da mesa de câmbio da corretora Western Union.

Dólar

Segundo Fabiano Rufato, da Western Union, o que pesou no dólar nesta quarta foi uma conjuntura de fatores internos, com a eleição, e externos, com as preocupações em torno de uma desaceleração do crescimento global.

"A divulgação do Livro Bege deu uma amenizada na forte alta que a moeda tinha, mas realmente a leitura é que a melhoria do crescimento econômico dos EUA está aquém daquilo que o mercado estava contabilizando", ressalta.

O Banco Central informou que o fluxo cambial está negativo em US$ 2,070 bilhões até o dia 10 de outubro, com retirada de US$ 2,470 bilhões no segmento financeiro e entrada de US$ 400 milhões na conta comercial.

Nesta manhã, o Banco Central deu continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio, com oferta de 4.000 contratos de swap (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro) com vencimentos em 1º de junho e 1º de setembro de 2015. Foram vendidos 2.200 contratos para 1º de junho e 1.800 para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a US$ 197,5 milhões.

O BC também vendeu nesta sessão a oferta total de 8.000 contratos de swap para rolagem dos contratos que vencem em 3 de novembro. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de metade do lote total, equivalente a US$ 8,84 bilhões.

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