Pouca representatividade LGBT

Dos 270 candidatos a favor da bandeira, apenas 37 estarão no Congresso em 1º de janeiro

iG Minas Gerais | Larissa Veloso |

Avaliação. “Não acho que é possível analisar essa questão com números”, diz o ativista Carlos Magno
Pedro vilela 19.4.2009
Avaliação. “Não acho que é possível analisar essa questão com números”, diz o ativista Carlos Magno

Apesar de votações expressivas, como a do deputado federal Jean Wyllys, que recebeu 145 mil votos no Rio de Janeiro, relativamente poucos candidatos ligados à causas LGBT chegaram a ser eleitos para o Congresso Nacional ou para as Assembleias Legislativas. Em um levantamento feito pelo movimento Vote LGBT, dos 270 candidatos que são a favor de causas como o casamento igualitário, adoção do nome social e criminalização da homofobia, apenas 37 foram eleitos. Em Minas Gerais, onde o número era de 18 candidatos, apenas três conquistaram os eleitores: Durval Ângelo (PT), Iran Barbosa (PT) e Jô Moraes (PCdoB).

Para complicar ainda mais a questão, nomes conhecidos por um discurso contrário aos direitos de gays, lésbicas e transexuais, como Jair Bolsonaro (PP), tiveram votação expressiva.

Um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta o que pode ser considerado Congresso mais conservador do período pós-Regime Militar. “Quando eu vi o resultado da eleição do Legislativo, a minha primeira preocupação foi alertar todas as organizações, para que estejam voltadas para um intervenção aqui na Câmara. O que me cabe defender são os direitos da causa LGBT, como direitos fundamentais da pessoa humana, e abrir um espaço para a discussão da criminalização da homofobia, sobretudo”, ressalta a deputada federal Jô Moraes. Quando indagada se acredita na aprovação do projeto que torna crime a violência com motivos homofóbicos, ela afirma que será preciso muita pressão da sociedade, como já aconteceu antes com o projeto Ficha Limpa. Outro que conta com a mobilização popular é o deputado estadual Durval Ângelo.

“As leis não podem depender só do Congresso. Devermos fazer paradas do orgulho gay para pressionar também politicamente, e continuar acreditando na luta social. Esse Congresso pode ser conservador, mas vai ter que ser sensível às manifestações”, afirma ele.

Se contarmos com o levantamento do movimento Vote LGBT, a bancada a favor da causa gay no Congresso teria 15 deputados e um senador.

Cenário mineiro. Na Assembleia mineira, apenas Iran Barbosa e Durval Ângelo constam no levantamento de parlamentares progressistas. Mas o petista acredita que o resultado não foi tão extremo como no cenário nacional. “Não acho que tivemos um retrocesso, como no Congresso. Pelo menos das que eu conheço, acredito que elegemos bancadas tolerantes, inclusivas”, afirma Durval.

O parlamentar acredita que um dos grandes espaços para discutir os direitos da comunidade LGBT será na Comissão de Direitos Humanos. “A primeira questão é estarmos atentos à violência contra gays, lésbicas e transexuais, e a comissão é o espaço para discutirmos isso. Nossa segunda esfera de atuação será na questão da conquista de mais direitos, como a inclusão do parceiro como dependente nos planos de saúde. E tem o terceiro aspecto é que é o educativo”, explica Durval.

Congresso

Números. Dos candidatos que são a favor do casamento igualitário, da adoção do nome social e criminalização da homofobia, apenas 37 foram eleitos para o Congresso Nacional.

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