O teatro encontra a escola

Festival terá 13 espetáculos, sete oficinas e oito encontros abertos ao público que ocuparão seis espaços de BH

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Disputado. Mostra é procurada por artistas de várias parte do país
Larissa Nowak Divulgação
Disputado. Mostra é procurada por artistas de várias parte do país

As agruras de se trabalhar com cultura no Brasil não são novidade: faltam políticas públicas que invistam na continuidade, falta compreensão do poder público da importância dos projetos e falta um estreitamento da maior parte da população com os artistas e suas produções e projetos. Ainda assim, há quem reme contra essa maré, que resista ao vento e insista em fazer ações importantíssimas para a cultura da cidade. O Festival Estudantil de Teatro (Feto), que começa sua programação de espetáculos nesta quinta, é prova de resistência artística.

“Esse ano, mais uma vez tivemos dificuldades em nossa produção, mas daí eu paro para pensar: quando foi que nós não tivemos dificuldades?”, indaga Bárbara Bof, uma das idealizadoras do festival e membro da No Ato, produtora que sempre esteve à frente do evento, que chega a sua 14ª edição, nos últimos 16 anos.

A mostra de espetáculos do Feto se divide em duas categorias principais: Teatro na Escola e Escola de Teatro. A primeira reúne produções feitas dentro de escolas públicas e particulares, já o segundo mostra os trabalhos das escolas de formação artística da capital, como o curso de Teatro da UFMG, Cefar, Teatro Universitário etc. Criado como mostra competitiva, o festival tenta diluir essa ideia, ao não distribuir prêmios, mas destaques. “Pensamos muito sobre isso sempre. É sempre delicado falar que uma pessoa é melhor que outra, principalmente porque temos esse caráter formativo”, comenta Bof. A comissão, formada por ela, Paulo Celestino, Juliana Barreto, Walter Lima Torres e Cida Falabella, poderá conferir destaques daquilo que lhes chama atenção, de maneira bastante subjetiva. “O festival tem essa ideia de encontro, de confraternização e não de competição”, completa.

Encontros. Outro aspecto importante do Feto, desde sua edição de 2007, é a participação de artistas, pensadores, pesquisadores e produções profissionais em sua programação. Nesta quinta, o espetáculo “Comunicação a uma Academia”, do Clube Noir, se apresenta no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna. A peça, dirigida por Roberto Alvim, traz José Geraldo Júnior e Juliana Galdino em cena e se inspira na obra de Franz Kafka. A atriz dará uma oficina para estudantes de teatro.

“Temos esse mote. Está tudo encadeado. Sempre pensamos que é importante essa convivência: artistas, já com uma trajetória no mercado, encontram estudantes de teatro, mas também crianças e adolescentes que em sua maioria não vão seguir carreira artística, mas podem ter uma experiência transformadora com o teatro”, pontua Bof.

Um dos encontros do festival é um café, o Cafeto, onde os participantes são os protagonistas, sem ter o ar de palestra, com fala de “especialistas”. Essa programação existe desde 2007 e, desde então, traz temáticas muito interessantes à tona. “Decidimos rever os Cafetos anteriores e pensar sobre o que propor este ano. Percebemos que muitas propostas interessantes que surgem ficam apenas na fala e não conseguem ter implicações práticas”, pondera a coordenadora. Por conta disso, nesta edição o festival terá uma comissão que irá apresentar encaminhamentos para as questões que eventualmente surgirão no Feto e no Cafeto. Os dois temas centrais serão: políticas culturais para a infância e juventude e a realidade dos professores de teatro dentro das escolas públicas e particulares. “É uma tentativa de sair apenas do discurso”, avalia Bof.

Chegando a meados de sua “adolescência”, já é possível para os coordenadores do Feto avaliarem sua trajetória. “É muito gratificante ver um professor que participou há dez anos do festival voltar com seus alunos”, comemora Bof.

Em seu contínuo trabalho de formação de jovens artistas e principalmente espectadores, o festival oferece oficinas específicas para públicos de diferentes faixas etárias. “Quando pensamos em formação, é preciso pensar no teatro desde a infância, o que vemos por aí são produções que se aproximam da televisão. As produções ignoram as crianças e aí, a partir dos 18 anos de idade, a gente quer que esse público, de repente, comece a gostar de teatro? Eu sou acima de tudo otimista. Falamos entre a gente que é preciso pensar que o futuro do teatro é agora”, pondera Bof.

Toda a programação do Feto está na página www.fetobh.art.br

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