Amigos de todos os gêneros

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Recebi um e-mail cujo assunto era “Psiquiatra recomenda ter amigas”. O texto dizia, “o palestrante (chefe da psiquiatria da Stanford) afirmou, entre outras coisas, que uma das melhores coisas que o homem pode fazer por sua saúde é estar casado com uma mulher. Já para a mulher, uma das melhores coisas que ela pode fazer pela sua saúde é nutrir a sua relação com suas amigas”. Sem citar o nome do tal doutor, nem quando e onde ele teria dito isso, o texto afirmava que porque “as mulheres se conectam de forma diferenciada e oferecem sistemas de apoio que ajudam a lidar com o estresse e experiências de vida adversas”, produz, desta forma, “mais serotonina, um neurotransmissor que ajuda a combater a depressão e que pode vir a criar um sentimento de bem-estar geral”. Não carecia de uma desculpa científica para algo que só os muito novinhos ainda não sacaram. Ter amigos é melhor que ter qualquer relacionamento amoroso. Sim, amigos, homens ou mulheres (que me desculpe o tal doutor de Stanford, mas não diferencio a qualidade de uma amizade por gênero). O texto não fala de amizades entre homens e mulheres. Diz apenas que as mulheres compartilham seus sentimentos, enquanto os homens raramente discutem entre si como se sentem sobre determinadas coisas ou sobre o andamento de sua vida pessoal. Preferem falar sobre esportes, carros, trabalho, hobbies... Embora, ao longo da vida tenha tido infinitamente mais amigas do que amigos, os mocinhos que me emprestaram o ombro nas horas infelizes e compartilharam gargalhadas nos momentos de alegria são tão importantes quanto as mulheres com as quais dividi dores e delícias. Posso ter sido privilegiada na escolha dos machos amigos, mas nunca deixei de abrir meu coração para eles e elas da mesma maneira, sempre me confiaram seus mais íntimos segredos. Talvez os homens se sintam à vontade para falar de sentimentos com as mulheres, mas não com seus pares. De qualquer forma, uma falha imperdoável o tal doutor de Stanford não ter estudado esse lado da moeda, não acham? Vai ver “doutor Stanford” é adepto da teoria do Harry, personagem interpretado por Billy Crystal na comédia romântica “Harry & Sally”. Segundo ele, é impossível uma amizade entre um homem e uma mulher, já que sempre haverá sexo no meio deles. Numa das melhores cenas do filme, Sally (Meg Ryan), indignada, diz que aquilo não é verdade, já que ela tem vários amigos e que não há nada de sexual na relação deles. Harry fala que ela está enganada. Sally reafirma sua opinião e, diante da insistência de Harry, pergunta se ele está dizendo que ela fez sexo com os amigos sem saber disso. E Harry: “não, apenas que eles queriam fazer sexo com você”, e termina a sua teoria dizendo que, concretizando ou não a transa, a relação já estará envolvida em sexo. Brincadeiras à parte, não é preciso ser cientista para detectar a mudança de estado de espírito depois de uma boa conversa com um amigo do peito, seja ele do gênero que for. Gay, lésbica, homem, mulher, transgênero... Texto originalmente publicado no dia 6/6/2012. A colunista está de férias.

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