Ex-diretor da Petrobras processa Paulo Roberto Costa por calúnia

Para o advogado Alexandre Lopes de Oliveira, houve crime de calúnia por parte de Costa contra seu cliente, Renato Duque, no depoimento que o delator prestou na Justiça Federal no Paraná, na semana passada

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O ex-diretor da Petrobras Renato Duque entrou com uma ação penal por crime contra a honra, na Justiça do Rio, na última sexta-feira (10), contra o ex-colega Paulo Roberto Costa, delator no processo que investiga suposto esquema de desvio de recursos em obras da empresa.

Para o advogado Alexandre Lopes de Oliveira, houve crime de calúnia por parte de Costa contra seu cliente, no depoimento que o delator prestou na Justiça Federal no Paraná, na semana passada. Ao juiz Sérgio Moro, Costa havia afirmado que Duque tinha participado do suposto esquema, envolvendo empreiteiras. O delator disse que parte dos recursos desviados ia para os partidos PT, PMDB e PP.

Ao ser perguntado pelo juiz Federal Sérgio Moro se os desvios ocorriam em outras diretorias, Costa respondeu que "em relação à Diretoria de Serviços, todos sabiam que tinha um percentual desses contratos da área de abastecimento, de 3%, 2% eram para atender ao PT".

O juiz também questionou se outros diretores, assim como Costa havia reconhecido, também recebiam repasses, ao que o delator confirmou o nome do ex-colega que agora o processa.

Duque foi diretor da área de Serviços entre 2003 e 2012. Costa tornou-se diretor de Abastecimento em 2004, tendo saído da companhia também em 2012. Ambos entraram na empresa jovens, e nela fizeram carreira até serem nomeados diretores, na gestão de José Eduardo Dutra como presidente.

Na ação, o advogado Alexandre Lopes de Oliveira alega que Costa, "mentindo", atribuiu a Duque "falsamente fatos definidos como crime, caluniando-o", ao atribuir-lhe a prática de corrupção passiva. Ao defender Duque, Oliveira diz que o cliente "jamais extorquiu empresários. Jamais se imiscuiu com doleiros. Jamais fez de sua família uma organização clandestina".

Costa foi preso em março no decorrer das investigações da Operação Lava Jato, que chegou ao esquema de desvio de recursos de obras da Petrobras. Ele aderiu à delação premiada e, desde o início do mês, cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro, enquanto aguarda julgamento.

O advogado de Costa, João Mestieri, disse que seu cliente acertou a delação para "recuperar a própria alma" e que vai "enfrentar a ação e reafirmar as questões" apresentadas no depoimento. "Ele [Costa] não tem temor porque o que disse é a mais pura verdade", disse Mestieri.

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