Promotor minimiza ações de caridade feitas por Pistorius

No depoimento desta terça (14), o empresário Peet van Zyl destacou o grande número de ações de caridade feitas pelo atleta ao longo de sua carreira

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Oscar Pistorius leaves the high court in Pretoria, South Africa, Wednesday, April 9, 2014. Pistorius is charged with murder for shooting dead his girlfriend, Reeva Steenkamp, on Valentines Day in 2013. (AP Photo/Themba Hadebe)
Associated Press
Oscar Pistorius leaves the high court in Pretoria, South Africa, Wednesday, April 9, 2014. Pistorius is charged with murder for shooting dead his girlfriend, Reeva Steenkamp, on Valentines Day in 2013. (AP Photo/Themba Hadebe)

Em novo dia de julgamento na semana em que o tribunal de Pretória, na África do Sul, deverá anunciar a sentença a ser aplicada em Oscar Pistorius, já considerado culpado pelo crime de homicídio culposo (sem intenção de matar) da sua namorada Reeva Steenkamp, em 14 de fevereiro do ano passado, o promotor de acusação do caso, Gerrie Nel, interrogou nesta terça-feira o empresário do astro paralímpico, Peet van Zyl.

O agente foi chamado a testemunhar pelos advogados que defendem Pistorius, que admitiu ter efetuado os quatro disparos que mataram Reeva, atingida após as balas atravessarem a porta do banheiro da suíte da casal, em Pretória. Porém, ele disse que confundiu sua namorada com um intruso na sua residência e a matou acidentalmente. A acusação, entretanto, alegava que o atleta matou a modelo intencionalmente depois de uma discussão acalorada, ouvida por vizinhos.

No depoimento desta terça, Peet van Zyl destacou o grande número de ações de caridade feitas por Pistorius ao longo de sua carreira, em estratégia utilizada pela defesa para tentar criar a imagem de um atleta carinhoso e preocupado com causas sociais, que depois passou a sofrer com problemas emocionais. Barry Roux, advogado do velocista biamputado, também citou este lado "generoso" do seu cliente nesta última audiência do caso para tentar comover a juíza Thokozile Masipa a aplicar uma pena mais branda e ser indulgente em sua sentença. Ela pode determinar desde o pagamento de uma multa a condenar o atleta a uma pena máxima de 15 anos de prisão.

Ao interrogar o empresário de Pistorius, porém, Nel chegou a ser irônico ao dizer que o agente estava tentando apresentar o seu cliente como uma "pobre vítima" neste caso, assim como minimizou a importância das ações de caridade feitas pelo atleta, lembrando que este tipo de iniciativa é comum aos esportistas de primeiro nível, assim como estão alinhadas a compromissos contratuais firmados com patrocinadores.

"Envolver-se em ações de caridade não é mais do que um avanço em sua carreira. Só estou dizendo que é uma coisa natural estar envolvido em trabalhos de caridade para os atletas, não é peculiar", ressaltou Nel, que depois viu Van Zyl retrucar que "muitos esportistas querem realmente fazer a diferença e contribuir" e negar que enxergue o seu cliente como "uma vítima" neste caso.

Também foi interrogada pelo promotor nesta terça a assistente social Annette Vergeer, outra testemunha de defesa, sendo que Nel ainda revelou que a família de Reeva chegou a recusar uma oferta de Pistorius que girou em torno de 25 mil randes (cerca de R$ 96 mil), oriundos da venda do carro do esportista. O atleta ofereceu ajuda aos familiares da vítima, mas os mesmos se recusaram a aceitá-la.

Esperando pelo anúncio de sua sentença, o atleta sul-africano, que competia com auxílio de próteses nas duas pernas, viveu o ápice da sua carreira em 2012, quando participou dos Jogos de Londres, se tornando o primeiro competidor paralímpico a disputar uma edição da Olimpíada. Além disso, ele possui oito medalhas paralímpicas, sendo seis delas de ouro.

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