Racionamento à vista no Jaíba

Mais de 2.000 produtores deixarão de receber água; qualidade das frutas vai cair, e o preço, subir

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

No limite. Em setembro, as bombas do projeto de irrigação do Jaíba já tinham dificuldade para alcançar o São Francisco e captar águas
Lincon Zarbietti / O Tempo
No limite. Em setembro, as bombas do projeto de irrigação do Jaíba já tinham dificuldade para alcançar o São Francisco e captar águas

Esta semana será determinante para o destino do projeto de irrigação do Jaíba, no Norte de Minas. Na última quinta-feira, a Agência Nacional das Águas (Ana) determinou a redução da vazão da represa de Três Marias – que abastece o rio São Francisco, de onde sai água para irrigar 27 mil hectares de água plantada. Quanto menos água sair do reservatório, menos água chegará no Norte e as bombas do sistema de irrigação, que já enfrentavam dificuldade com a vazão de 150 m³/s, agora, com os 140 m³, pode não conseguir mais captar.

“Por enquanto, o Jaíba continua, mas como ainda demora uns dias para avaliarmos o impacto da redução da vazão, vamos esperar. Se for preciso, vai ter racionamento”, explica o presidente da Ruralminas, Luiz Afonso Vaz de Oliveira, que administra um dos dois distritos do projeto de irrigação. O outro distrito é gerenciado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

O gerente da área de produção pela Codevasf, Paulo Roberto Carvalho, afirma que já está tudo pronto para iniciar o racionamento, caso seja mesmo necessário. “Mesmo com a redução da vazão de Três Marias, temos conseguido manter a captação de 15 m³/s, pois fizemos uma limpeza no canal de chamada que melhorou a captação. Enquanto permanecer nesse nível, dá para continuar. Mas, se esse nível cair, o racionamento pode começar”, explica Carvalho.

Se realmente for necessário, o plano é alternar os dias da irrigação. São mais de 2.000 produtores, que recebem água todos os dias. Com o racionamento, a água seria liberada um dia para o Distrito 1 e, no outro dia, para o Distrito 2.

Medo. “Se isso acontecer mesmo vai ser um desastre. Sem água suficiente, o desenvolvimento das plantas fica comprometido e isso afeta a qualidade das frutas não só agora, mas para os anos seguintes. E também vai interferir no preço”, avalia o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Janaúba, José Aparecido Mendes.

Segundo ele, o pior será para os pequenos produtores. “Os grandes têm condições de furar poços e sobreviver, mas os pequenos não têm condições”, afirma.

Hoje, o Projeto Jaíba produz 1,3 milhão de toneladas de frutas por ano. É de lá que sai metade da banana de Minas Gerais.

Janaúba

Corte. O que o Jaíba teme, já está acontecendo em Janaúba, Norte de Minas. Desde o ano passado, os projetos de irrigação estão em racionamento, com apenas metade da água,

Três Marias e Jaíba

O reservatório de Três Marias, na região Central de Minas, funciona como uma caixa d’água, que libera aos poucos e alimenta o rio São Francisco, de onde sai água para irrigar o Projeto Jaíba, no Norte de Minas.

A usina que a Cemig tem em Três Marias, usa a água para gerar energia.

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