Tolerância zero com a inflação

Tucano dedica programa eleitoral ao tema e ironiza sugestão do governo para população comer frango

iG Minas Gerais |

Líder. Com um de seus melhores desempenhos regionais, Aécio teve 49% dos votos dos paranaenses
Igo Estrela / Coligacao Muda Bra
Líder. Com um de seus melhores desempenhos regionais, Aécio teve 49% dos votos dos paranaenses

São Paulo. O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) dedicou seu programa no horário eleitoral desta segunda-feira à tarde ao tema da inflação, ironizando declaração recente de um secretário do Ministério da Fazenda para que a população compre frango em vez de carne bovina. Na última quarta-feira, ao comentar os números da inflação, que superaram as previsões do governo, o secretário de Política Econômica, Márcio Holland, disse que os consumidores deveriam dar preferência aos produtos em deflação.

“Os consumidores precisam pensar assim: quando o tomate está em deflação, ele é um bom produto a ser adquirido. Assim como a carne bovina, que está em alta, é recomendável migrar para outros produtos”. A fala foi o mote de quase metade dos dez minutos de que o tucano dispõe no horário eleitoral.

O programa mostrou manchetes de jornais sobre a fala do secretário e a reclamação de eleitores nas ruas, em alternância com discursos do senador mineiro, propostas para a economia e até uma esquete humorística com atores em um supermercado. “O Brasil levou décadas para controlar a inflação. O Plano Real chegou para estabilizar a moeda e domar a inflação. O que fizemos ao controlar a inflação permitiu que depois pudesse existir o Bolsa Família e o crédito mais fácil”, disse Aécio, no programa. “Tudo isso piorou e piorou muito desde que a Dilma assumiu o governo. A inflação está aí. Voltou e assusta a todos. O que o governo faz para combatê-la? Pede que vocês comam ovo em vez de carne”.

Aécio voltou ao Plano Real, instituído em 1994 pelo governo Itamar Franco, para apontar a importância do controle da inflação. Na época, o ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso. “Eu sei que esse é um assunto muito técnico, até meio chato. Mas é muito importante nós sabermos que é fundamental a inflação estar sob controle”, falou ele. “A inflação está alta, mas dessa vez a culpa não é da crise internacional, é de quem compra carne”, criticou um apresentador. “A minha política econômica será de tolerância zero com a inflação. Não tem outro jeito. O Brasil tem que voltar a crescer”, frisou Aécio.

O programa contou também com uma defesa ao ex-presidente, como resposta aos ataques feitos a FHC na propaganda da adversária Dilma Rousseff (PT). Uma apresentadora leu a íntegra de uma carta elogiosa escrita pela presidente em ocasião dos 80 anos de FHC, em que ela o cumprimenta como ministro arquiteto de um plano duradouro de saúde da hiperinflação. Ao final da leitura, com a imagem da assinatura de Dilma na carta, um locutor questiona: “Quem fala a verdade? A Dilma que ataca para ganhar votos ou a Dilma que escreve e assina embaixo?”.

‘Financial Times’

Inflação. O jornal britânico “Financial Times” destacou, em reportagem publicada nesta segunda-feira, o apoio de Marina Silva (PSB) ao candidato Aécio Neves (PSDB). O jornal repete a avaliação de que, independentemente do vitorioso no segundo turno, as contas públicas e a inflação terão de ser ajustadas pelo novo governo. “Sem essa correção, o Brasil pode sofrer rebaixamento de rating e piora ainda mais acentuada da confiança dos investidores”.

Preços. A reportagem repete a avaliação de que mudanças na economia são imperativas. “Seja qual for o candidato que ganhe, ele ou ela terá de reequilibrar as contas públicas e desmantelar os controles de preços e subsídios”, completa o FT.

Crítica a Dilma

Incerteza. Aécio criticou a falta de programa do governo de Dilma e disse que “a candidata oficial” é um salto no escuro. Ele questionou a capacidade da petista em retomar a credibilidade da economia.

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