Presos rebelados fazem 19 reféns em penitenciária do Paraná

Metade do presídio não participou da ação, em uma ala separada; já os demais queimaram colchões e se espalharam por um pátio

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Doze agentes penitenciários e sete presos são mantidos reféns em uma rebelião que se estende desde a manhã desta segunda-feira (13) na Penitenciária Industrial de Guarapuava (a 252 km de Curitiba).

Duas pessoas ficaram feridas --um deles, um agente que teve queimaduras leves com um produto químico não identificado.

Alguns dos reféns são mantidos seminus, apenas de cueca e meias, no telhado do presídio. Eles aparentam ser presos, e não agentes, segundo a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná, responsável pelos presídios. A rebelião começou por volta das 11h. Os amotinados usaram tesouras, chaves de fenda e pedaços de madeira para render 13 agentes e 20 detentos.

Pela tarde, para fugir dos que estavam armados, 11 presos mantidos reféns se jogaram do telhado. Os rebelados ainda jogaram dois detentos do teto. Pela baixa altura, um deles teve apenas feridos leves, foi medicado e transferido para uma ala segura. O segundo detento não se feriu.

A penitenciária abriga 239 homens, com capacidade para 240 vagas. Metade do presídio não participou da ação, em uma ala separada. Já os demais queimaram colchões e se espalharam por um pátio.

Alguns dos líderes do motim permaneceram no telhado, com rostos cobertos, ameaçando alguns reféns. Outros rebelados subiram na guarita da Polícia Militar, que estava vazia, e depredaram vidros.

Os detentos revoltosos estenderam no telhado uma faixa pedindo "Força aos Irmãos", o que, para a secretaria, seria indício de que pertencem a facções criminosas.

Reincidência

Há suspeita, segundo a pasta, de que os líderes já tenham participado de outras rebeliões no Paraná. Caso seja confirmada a reincidência, eles devem ser transferidos a presídios federais em outros Estados.

A Tropa de Choque da PM cercou o local e uma equipe tenta negociar com os que coordenam a rebelião. Além de policiais, as conversas têm apoio de uma juíza, de defensores públicos e membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) local.

Apesar das negociações ao longo do dia, de acordo com a secretaria o grupo amotinado não apresentou nenhuma reivindicação específica --no começo da tarde, reclamou da má qualidade da refeição servida no local.

É a primeira rebelião da penitenciária, criada há 15 anos. A unidade não abriga presos de alta periculosidade e oferece possibilidade de trabalho --há oito empresas instaladas no local, para produção de botas e móveis de escritório, entre outras.

Até as 20h, os 12 agentes e sete presos continuavam dominados pelos rebelados.

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