Comissão da Verdade visita instalação militar para lembrar torturas

O relatório da visita será utilizado pela Comissão da Verdade na montagem de um quadro que apontará os sete principais centros de tortura que teriam funcionado no país

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Representantes da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, de Pernambuco, visitam amanhã, terça-feira, 14, o Hospital Militar de Área do Recife, onde funcionou, nos anos da ditadura, o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Defesa Interna (DOI-CODI) do 4.º Exército. Segundo informações de ex-presos políticos, o local abrigava um centro de tortura.

A visita será acompanhado por quatro ex-presos políticos. Eles foram convidados para auxiliar a identificar as salas onde as violências teriam ocorrido.

O relatório da visita será utilizado pela Comissão da Verdade na montagem de um quadro que apontará os sete principais centros de tortura que teriam funcionado em instalações militares no país. Segundo definição do coordenador da comissão, o advogado Pedro Dallari, será "um mapa do terror".

As comissões nacional e pernambucana também devem visitar, no mesmo dia, a sede da Associação dos Delegados Pernambuco, que abrigou a Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) do Estado. Os dois edifícios estão localizado no bairro de Boa Vista, na região central do Recife.

As duas visitas contarão com a presença de todos os integrantes do colegiado que apura casos de graves violações de direitos humanos ocorridas na ditadura. Além de Dallari, estarão presentes José Carlos Dias, José Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Cardoso.

A CNV tem percorrido instalações militares desde novembro de 2013, com o objetivo de identificar unidades das Forças Armadas que teriam abrigado centros de tortura, mortes e outras graves violações de direitos humanos. Esta é a primeira visita que o grupo faz desde o lançamento, no final de setembro, de um manifesto assinado por generais da reserva, entre eles o ex-ministro do Exército Leônidas Pires, no qual a Comissão da Verdades foi qualificada como "ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo".

O antigo DOI-CODI do Recife é a sexta unidade militar da lista a ser percorrida pela CNV entre as sete que integram o relatório preliminar de pesquisa sobre tortura e morte nessas instalações, divulgado pela CNV em fevereiro deste ano.

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