Campanhas, debates e pesquisas

iG Minas Gerais |

Como tudo que tenha durado menos do que em versões anteriores, a eleição deste ano já se arrasta, demasiadamente, no tempo e nos seus incômodos. Verdade que os brasileiros estarão decidindo pela sua sorte nos próximos quatro anos e, justamente por isso, as campanhas deveriam ser mais propositivas, mais realistas e sobretudo mais respeitosas com o povo brasileiro. Um país com as demandas que tem o Brasil – com as responsabilidades geradas pela sua importância, decorrentes do tamanho da sua população e das suas riquezas, e que abriga contrastes históricos que os próprios candidatos enxergam apenas como canteiros de votos – merece que os postulantes à Presidência apresentem projetos exequíveis, adequados à capacidade de realização. Precisa de programas e não de falácias o Brasil que se compreende entre a exuberância de suas regiões Sul e Sudeste – onde se concentram mais de 80% da sua economia – e um Norte e Nordeste secularmente vitimado pelo seu clima, pela miséria que envergonha, pela falta de perspectivas que se agrava pelo comportamento de candidatos como os que hoje temos como alternativa. O PT de Dilma tem programas e propostas que não resolvem, mas que aliviam as consequências da miséria extrema. Atrasam os efeitos desse quadro de carências e igualmente atrasam sua solução. Aécio não revelou, em nenhum momento de sua trajetória, o que fará para esse Brasil miserável, que migra do Norte e Nordeste e se instala no resto do país, nas favelas e em outros espaços menos favorecidos. Decorrem daí as diferenças que os dois candidatos têm no perfil de seus eleitores. Em Minas, para se enxergar essa dimensão, Dilma venceu Aécio no norte do Estado e no Vale do Jequitinhonha. A população dessas regiões, francamente mais pobre do que a do restante do Estado, não votou no choque de gestão, nos índices que o PSDB apregoou em sua campanha de elevado padrão da educação, da saúde e da segurança. Votou, como sucedeu no Norte/Nordeste, na farta distribuição de bolsas de tudo, que é uma solução precária e que não pode se eternizar. Não resolve, mas alivia. Até o próximo dia 26, duas semanas mais, os candidatos terão oportunidade para dizer o que pretendem, qual Brasil querem construir para entregar ao final de seu mandato. Chega de conversa fiada, de jogadas de marketing eleitoral, de pesquisas fraudadas e tendenciosas, de censuras cuja autoridade se questiona de quem as orquestra e vomita. O eleitor quer propostas, quer projetos, quer seriedade e compromisso dos candidatos e não apenas essa desconstrução diária em que se transformaram as campanhas e os debates. Quatro anos são um século para um Brasil que tem problemas demais para resolver e um povo débil que não suporta mais a riqueza confortável de muito poucos.

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