Empate entre Dilma e Aécio

Em município da região Central de Minas Gerais, petista e tucano tiveram, cada um, 1.571 votos

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

Opostos. Vicente Correia prefere Dilma por sua atuação, já Dário de Paula quer Aécio por conhecê-lo
Uarlen Valério
Opostos. Vicente Correia prefere Dilma por sua atuação, já Dário de Paula quer Aécio por conhecê-lo

Inhaúma. Os amigos aposentados Dário de Paula e Vicente Correia, de 71 anos, poderiam deixar de votar no próximo dia 26 de outubro, mas afirmam que, mesmo não obrigados, irão participar da escolha do próximo presidente do país. Dário escolheu o candidato do PSDB, Aécio Neves. Já Vicente diz que vai votar novamente na presidente Dilma Rousseff (PT).  

Ambos vivem na pacata Inhaúma, na região Central de Minas, uma das duas únicas cidades do Brasil que registraram a mesma quantidade de votos para o tucano e para a petista: exatamente 1.571, no caso do município mineiro. Rio Crespo, em Rondônia, viveu a mesma situação, porém, com 990 votos para cada candidato.

“Eu queria ele (Aécio) desde 2010, mas foi o (José) Serra o candidato à Presidência. Ele (Aécio) foi governador, ajudou muito a capital”, argumenta Dário. Já Vicente destaca a atuação da petista. “Dilma fez muita coisa. Junto com o Lula, eles ajudaram muito os aposentados”, justifica.

O voto na cidade é debatido entre os familiares e entre vizinhos, mas, pelas ruas, o clima de campanha é tímido: quase nenhum cartaz ou cavalete, e poucos adesivos pregados nos carros. “A campanha aqui foi mais forte mesmo para deputado e governador”, avaliou Tatiane Macedo, 32, vendedora. Contrariando as estatísticas, ela foi uma das 581 pessoas que escolheram Marina em Inhaúma.

Referência no município, o padre Reinaldo Tadeu Sztoltz conta que brigou com motoristas que dirigiam carros de som no horário da missa tocando jingles dos candidatos. “Campanha política dentro da igreja eu nunca permiti. Aqui dentro, eu incentivo o voto consciente e não falo qual é o meu candidato”, explica.

O padre contou ainda que, no fim de semana do primeiro turno das eleições, cinco ônibus com fiéis deixaram Inhaúma para visitarem o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo. “Foram na sexta e só voltaram na segunda”, lembra.

O prefeito da cidade é Max Oliveira dos Santos (DEM), partido que apoia o PSDB no Estado e faz oposição ao PT no plano nacional. Ele não estava na cidade na sexta-feira, quando a reportagem foi a Inhaúma.

Evento. No momento em que a equipe de O TEMPO deixava a cidade, Ana Lúcia Carvalho Pires, 34, doméstica, e Geraldo José Pires, 44, bombeiro, saíam do cartório. Eles haviam acabado de se casar depois de oito meses de namoro. “Nós dois votamos na Dilma”, enfatizou Geraldo.

Entre os funcionários do cartório, no entanto, o placar era de 2 a 1 para o candidato Aécio Neves. “Já é um político que a gente conhece. Para melhorar, precisamos da mudança”, defende o juiz de Paz Hudson Barbosa, 67. A escrevente auxiliar Ana Carolina Santos, 19, também usou os mesmos argumentos de Hudson. Já a escrevente substituta Tábata Pires, 26, não abre mão do voto em Dilma: “ela já conhece o país. Está por dentro”.

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