Joyce Cândido abre alas como potência da MPB

Primeiro DVD da cantora repagina sambas ao lado de Elza Soares, João Bosco e Toninho Geraes

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Personalidade.Joyce Cândido dá outra cara a sambas clássicos com interpretação quase teatral
Roberto Machado
Personalidade.Joyce Cândido dá outra cara a sambas clássicos com interpretação quase teatral

Joyce Cândido cresce e aparece. No palco, ela samba, levanta a barra do vestido, faz caras e bocas assertivas enquanto canta. Mas não se excede em sua desenvoltura natural. E não precisa recorrer à gritaria de concursos televisivos para mostrar a voz. É dessa forma que a gravação do DVD “O Bom e Velho Samba Novo” (Warner Bros), lançado em disco em 2011 e agora registrado em show, expõe uma promissora intérprete, acertando o tom ao repaginar de Noel Rosa a Caetano Veloso sem perder a passada e a personalidade classuda. Joyce estreou na indústria fonográfica com “Panapaná” (2006), que, apesar de trazer três composições próprias, não fez tanto barulho por ter distribuição limitada em Londrina, no Paraná, cidade de residência da artista nascida em Assis, no interior de São Paulo. Depois de estudar canto e piano clássico em Nova York, cantando de jazz a Djavan na noite norte-americana, ela foi morar no Rio de Janeiro e acabou indicada por Chico Buarque para a gravadora Biscoito Fino – que distribuiu o disco “O Bom e Velho Samba Novo”. Com mais visibilidade, Joyce Cândido atraiu a atenção da diretora teatral Bibi Ferreira, que dirigiu seu DVD. Para completar, a cantora ainda agregou ao seu show participações de Elza Soares, Toninho Geraes e João Bosco, em um espetáculo onde clássicos do samba reinam em interpretações contemporâneas, cercadas por um clima informal. Mesmo com a coluna quebrada, Elza Soares se esparrama em uma cadeira de couro preta e deixa a irreverência berrar na interpretação de “Espumas Ao Vento” (Accioly Neto), suavizada pela voz e interpretação despojada de Joyce Cândido. Com João Bosco, a cantora interpreta “Rancho e Goiaba”, tendo mérito em se distanciar da marcante interpretação de Elis Regina. Fã de Chico Buarque, Joyce Cândido foi levada pelo produtor do DVD, Alceu Maia, a conhecer o ídolo em uma das peladas do time do compositor carioca, Politheama. “Cheguei lá e o Chico disse que tinha ouvido meu disco, me indicou para gravadora, disse que queria me ouvir cantando mais coisas dele”, diz a cantora. Quase como uma discípula da realeza da MPB, Joyce Cândido repagina “Deixa a Menina” com uma vitalidade de garota. “Em Samba e Amor”, também de Chico, ela inventa um jeito de sambar sentada, enquanto inclui seu piano popular em um arranjo ousado. O suingue dela ainda aparece em uma coreografia ensaiada por Carlinhos de Jesus em “Cê Pó Parar”, com participação do próprio no palco. Das 21 canções, a cantora também mostra a marca ainda tímida de compositora revelada agora ao grande público em duas canções, “Pôr do Sol” e “Joia Rara”, esta última em parceria com Guilherme Sá, vocalista da banda Rosa de Saron. O mais interessante em Joyce Cândido, entretanto, é que mesmo incluindo no repertório clichês como “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa, e “Reconvexo”, de Caetano Veloso, ela se porta frente ao público não apenas como mais uma cantora em busca de um lugar ao sol, mas sim como uma intérprete quase teatral. Transformando canções clássicas com movimentos de braços sutis, um olhar que parece sorrir para as melodias e toda uma personalidade que dá vida própria às canções que ela entoa.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave