Confirmado primeiro caso de ebola transmitido dentro dos EUA

O médico Tom Frieden, chefe do CDC, disse que o diagnóstico mostra que houve uma falha no protocolo de segurança

iG Minas Gerais | Da redação |

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC) confirmou que uma auxiliar de enfermagem de Dallas (Texas) é a primeira pessoa a contrair o vírus Ebola em território norte-americano. Ela foi infectada ao tratar de um paciente hospitalizado, apesar de usar o traje e os equipamentos de proteção recomendados.

O médico Tom Frieden, chefe do CDC, disse que o diagnóstico mostra que houve uma falha no protocolo de segurança e que todas as pessoas que trataram o paciente Thomas Eric Duncan, que morreu na última quarta-feira, são consideradas potencialmente expostas.

A auxiliar de enfermagem usava um avental de proteção, máscara, proteção para os olhos e dois pares de luvas ao tratar de Duncan quando ele foi pela segunda vez ao Hospital Presbiteriano do Texas, disse o médico Daniel Varga, da empresa Texas Health Resources, que administra o hospital.

Frieden disse que a trabalhadora não foi capaz de identificar qualquer falha no protocolo de segurança que poderia ter levado à contaminação.

Duncan chegou aos EUA proveniente da Libéria, seu país natal, em 20 de setembro. Ele procurou atendimento médico no dia 25, por ter febre e dor abdominal. Apesar de ter dito a uma enfermeira que havia acabado de chegar da África, Duncan foi mandado para casa. Voltou ao hospital no dia 28 e foi colocado em isolamento por suspeita de Ebola.

A Libéria é um dos três países africanos mais afetados pela epidemia de Ebola, que já matou mais de 4 mil pessoas, praticamente todas na África Ocidental, de acordo com dados divulgados na sexta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS da ONU). Os outros países mais afetados são Serra Leoa e a Guiné.

O Departamento de Saúde do Texas está monitorando cerca de 50 pessoas que tiveram ou podem ter tido contato com Duncan depois de ele ter apresentado os primeiros sintomas. Segundo Varga, a auxiliar de enfermagem afetada relatou febre na sexta-feira, como parte de um regime de automonitoração requerido pelo CDC. Um teste preliminar, feito no sábado, indicou que ela tinha o vírus Ebola, o que foi confirmado neste domingo pelo CDC.

Varga disse que há outra pessoa em isolamento e que o Hospital Presbiteriano parou de aceitar novos pacientes em seu setor de emergência. Segundo Frieden, as autoridades de saúde agora estão avaliando e vão monitorar quaisquer trabalhadores que possam ter estado expostos ao vírus nos dias em que Duncan esteve hospitalizado.

"Sabíamos que um segundo caso podia tornar-se realidade e nos preparamos para essa possibilidade", disse o médico David Lakey, comissário do Departamento de Saúde do Texas. "Estamos ampliando nossa equipe em Dallas e trabalhando com diligência extrema para impedir mais alastramento", acrescentou.

Funcionários da área de Saúde visitaram todas as residências em um raio de quatro quarteirões do prédio onde a auxiliar de enfermagem mora, distribuíram panfletos à população e fizeram telefonemas automatizados para alertar a população. Policiais ficaram diante do prédio neste domingo, orientando as pessoas a não entrarem. Um deles disse que um barril industrial colocado do lado de fora contém material perigoso retirado do edifício.

Kara Lutley, que vive a meio quarteirão do prédio, disse que não recebeu nenhum telefonema, nem qualquer tipo de orientação das autoridades de Saúde, e que ficou sabendo do caso pela imprensa. "Não estou muito preocupada com a possibilidade de pegar Ebola", afirmou.

Os funcionários também disseram ter recebido informações de que pode haver um animal de estimação no apartamento da auxiliar de enfermagem e que têm um plano para cuidar do animal. Eles afirmaram que não acreditam que o animal possa ter sinais de ter contraído o vírus. Na semana passada, o cachorro de uma enfermeira espanhola infectada por Ebola foi morto pelas autoridades de Madri, apesar de não haver nenhuma indicação de que o animal portasse o vírus. Na África Ocidental, pelo menos 370 profissionais da área de saúde já morreram desde o começo da epidemia.

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