Dilmistas tentam mobilizar progressistas com voto 'anti-Aécio'

Filósofa Marilena Chaui e deputado Jean Wyllys fazem esforço por candidatura de Dilma Rousseff

iG Minas Gerais | Da redação |

A filósofa Marilena Chaui pediu campanha "pessoa por pessoa" para combater a "viagem na maionese da desinformação". O deputado Jean Wyllys (PSOL) disse que não é hora de "lavar as mãos sobre a eleição".

No largo do Arouche (região central de São Paulo), Marilena e Wyllys foram estrelas, neste sábado (11), do esforço da campanha dilmista e de organizações de esquerda ligadas à cultura e aos direitos LGBT de estimular os progressistas, "mesmo os com críticas sérias ao governo", cerrem filas "contra o conservadorismo" representado por Aécio Neves (PSDB).

O apelo aos eleitores de Luciana Genro (PSOL) e a esquerdistas em geral -mesmo os críticos ou desiludidos com o PT- vem no momento em que Dilma Rousseff (PT) aparece em empate técnico com Aécio Neves (PSDB), segundo a mais recente pesquisa Datafolha, e enfrenta a divulgação de depoimentos sobre desvios na Petrobras.

"Não há nesse país pessoa com autoridade política ou autoridade ética para falar de combate a corrupção a não ser Dilma Rousseff", disse a filósofa da USP, sem citar o caso da Petrobras e elogiando o trabalho da Policia Federal, num roteiro muito próximo do seguido pela campanha petista na TV.

"Não se joga nada debaixo do tapete. É por isso que se mostra tanta corrupção. É por isso. É por uma decisão da presidente", afirma.

"Por que não houve punição para os membros dos PSDB, que inventou e pratica o primeiro mensalão? Estão acima da lei?", seguiu Marilena, em um dos pontos de seu "manifesto", espécie de guia para rebater os tucanos e defender Dilma. "É nossa tarefa informar."

A professora acusou Aécio de querer flexibilizar a CLT , de querer transformar direitos sociais em "serviços privados".

Sem lavar as mãos e mídia

"Não sou uma pessoa que lava as mãos como Pilatos", discursou Jean Wyllys -referência para a comunidade LGBT e reeleito pela Câmara pelo Rio- ao defender seu voto em Dilma.

Ele disse temer o alinhamento entre o novo Congresso eleito, que ele considera mais conservador, e um eventual governo Aécio.

"Vamos fazer isso [campanha de Dilma] sem apelar para o ódio, sem apelar para a mentira [...] Vamos agir com honestidade, com clareza, com discernimento. A gente pode ganhar, as pessoas querem isso."

Depois, Wyllys voltou ao pequeno palco para cantar, ao lado do senador Eduardo Suplicy (PT), "Blowin' In The Wind", de Bob Dylan.

Na praça, eleitores do PSOL e do PT prometiam tentar convencer eleitores a votar na petista. "Até fiquei contente com o resultado da pesquisa", disse o antropólogo Guilherme Giufrida, 26, que temia uma vantagem maior de Aécio na arrancada do 2º turno.

Giufrida diz que seu objetivo agora é convencer "uma classe média intelectualizada, politizada", que diz que vai votar nulo porque "tanto faz" a proposta tucana ou petista, que é melhor votar em sua candidata.

"Tem certas bandeiras, como a questão LGBT, as cotas nas universidades, a questão indígena, que são dessa classe média intelectualizada que vai votar nulo. Você tem que chegar para eles, que são meus amigos, e dizer que não é tanto faz. Mostrar para essas pessoas o que pode ser o Aécio", diz Giufrida.

"Nós não somos do PT, mas vamos votar no PT, contra o Aécio, mesmo o PT sendo uma esquerda social-liberal", disse o leiloeiro judicial Ênio Terra, 24, para quem os grandes jornais e TVs tratam o PT de maneira mais dura do que o PSDB. "Vem com essa desculpa de que jornalismo é oposição e o resto é secos e molhados. Mas não é bem assim. Eu gosto no PT no poder porque os jornais mostram, fazem oposição. Isso é bom, faz um governo bom. O problema é o PSDB assumir e não ter oposição da mídia", conclui.

Leia tudo sobre: AécioDilmaEleições2014