Força interior na vida e na arte

Pernambucana de criação, atriz valoriza convite dos autores da trama para protagonizar núcleo nordestino

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Maturidade. Chandelly afirma que termina a novela mais madura e disposta a investir em outros ambientes artísticos
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Maturidade. Chandelly afirma que termina a novela mais madura e disposta a investir em outros ambientes artísticos

A imagem de Chandelly Braz evidencia sua força. Do carregado sotaque pernambucano, passando pelo sorriso sincero e o olhar atento, tudo na atriz faz parecer que ela sabe exatamente o que quer. O discurso só confirma isso. Perto do fim de “Geração Brasil”, onde viveu a igualmente decidida Manu, Chandelly se mostra muito mais profissional com a TV, mas não esconde o desgaste. “Nunca trabalhei tanto. Adorei a personagem, fico feliz com o resultado do trabalho, mas protagonizar uma trama me confirmou que necessito buscar coisas fora da TV. Não preciso nem descansar, tenho apenas de respirar no teatro”. Natural da pequena cidade mineira de São Domingos do Prata, Chandelly foi ainda bebê para Pernambuco. Lá, morou no interior e na capital, Recife. “Sou pernambucana. Cresci e me criei em Pernambuco. Isso está nas minhas referências e no meu DNA artístico”, conta. Sua história com as artes cênicas, inclusive, serviu de inspiração para seu primeiro trabalho de destaque na TV. Sob o comando de João Falcão, Chandelly participou da adaptação da peça “Clandestinos” – que foi ao ar com o nome de “Clandestinos – O Sonho Não Acabou”. Logo depois, foi aprovada em um teste para “Cheias de Charme”, onde chamou atenção por conta da periguete Brunessa. “Devo muito a essa personagem. Ela representa o início da minha relação com a TV”, valoriza. “Geração Brasil” termina no início de novembro. Qual foi o saldo desse seu primeiro trabalho como mocinha? É uma experiência muito rica para mim. Estou na minha terceira novela, mas nunca tinha tido o volume de trabalho como eu tive com “Geração Brasil”. Então, fazer uma trama como protagonista é um exercício totalmente diferente. Me deu uma visão mais ampla do trabalho que se faz na TV. Como assim? É uma rotina pesada, pois você precisa estar sempre pronta para entrar em cena. Descansava nos intervalos já pensando no que eu tinha de fazer em seguida. Acho que agora sei bem como funcionam as coisas, tenho uma noção mais disciplinada dos bastidores. Não que eu já não levasse tudo muito a sério. Mas agora é bem diferente. Viver um papel central afeta sua vaidade como atriz ou o modo como você quer estruturar a sua carreira? Estou diferente, isso é um fato. Mas não que ter feito uma mocinha me dê a sensação que sou mais ou menos importante dentro da Globo ou na minha trajetória. Não virei e nem quero ser uma celebridade. Quero apenas atuar bem e construir uma carreira de bons personagens. Estou caminhando para isso. O peso das personagens dentro dos próximos projetos, por exemplo, será algo melhor avaliado por você depois da Manu? Não tenho essa vaidade. Saio dessa novela muito mais madura. E na certeza de que, apesar de adorar fazer televisão, não posso me fechar nela. Protagonizar é muito prazeroso, mas me confirma que tenho de me aproximar de outros veículos, voltar a fazer teatro, flertar com o cinema, para depois fazer TV de novo. Preciso de um respiro artístico e, quando se está gravando, fica impossível fazer outras coisas. A Manu foi uma personagem feita especialmente para você pelos autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. O núcleo da novela ambientado em Recife deixa isso bem claro. Qual o lado positivo e negativo dessa proximidade? Sinceramente, não vejo nada negativo. Encarei, a princípio, como uma bela homenagem dos autores, que gostaram do meu desempenho em um pequeno papel de “Cheias de Charme” e que me queriam para essa personagem. Depois, fui delineando diferenças para que essa aproximação se mantivesse apenas no âmbito da inspiração. Achei muito legal gravar em Recife e também o fato de a personagem ter sotaque. Fora que, além de me sentir extremamente lisonjeada, a Manu foge completamente da figura chorosa das mocinhas tradicionais.

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