Presidente do BC vê sinais de recuperação da economia no 3º trimestre

Alexandre Tombini afirmou que o BC espera que a economia brasileira cresça 0,7% em 2014

iG Minas Gerais | Folhapress |

Encontro do FMI teve início na última sexta-feira (10)
Stephen Jaffe/ IMF
Encontro do FMI teve início na última sexta-feira (10)

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou neste sábado (11) que "há sinais de recuperação da economia brasileira" no terceiro trimestre e que recuos nos preços de commodities e a alta das taxas dos juros vão se refletir na inflação.

Tombini está em Washington para o Encontro Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que reúne ministros da Economia e presidentes de bancos centrais de todo o mundo. Ele afirmou que o BC espera que a economia brasileira cresça 0,7% em 2014. Disse que os sinais de recuperação se referem ao terceiro trimestre, "mas ainda não temos todos os números".

Questionado sobre a combinação de inflação em alta e economia quase estagnada, ele disse que a economia "está próxima do pleno emprego" e que há um "robusto programa de investimentos em infraestrutura" no Brasil, o que levaria a uma reação.

Tombini disse ainda que a economia internacional continua com desempenho fraco, ainda relacionado com a crise financeira internacional, destacando que EUA e Inglaterra estão mais avançados, ao contrário da Europa continental, e a China não cresce tanto como anteriormente.

O presidente do BC disse que o Brasil tem capacidade para enfrentar esse período de transição "com certa tranquilidade" e que a recuperação "da maior economia do planeta, os EUA" é algo muito bom para o comércio internacional.

O FMI estima que a economia brasileira cresça 0,3% neste ano, enquanto o PIB dos emergentes deve ter uma expansão de 4,4%. A economia global deve crescer 3,3%.

Comunicado do FMI

A recuperação da economia global foi incompleta e mais fraca do que o esperado. Por isso, é preciso tomar medidas "ousadas e ambiciosas" que coloquem os países de volta no caminho de um crescimento sustentável e robusto, em especial reformas estruturais de longo prazo.

Essa é a mensagem do comunicado final do encontro do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC) do FMI, divulgado neste sábado (11).

A necessidade dessas reformas estruturais foi o centro do comunicado – e do encontro. "Todos estavam concentrados no desafio real, as reformas estruturais, muito mais do que em políticas macroeconômicas", disse o presidente do IMFC.

Reforma do Fundo

Os Estados Unidos estão trabalhando na reforma de cotas do FMI e é preciso esperar os resultados até o final do ano antes de considerar outras opções, afirmou a diretora-geral do Fundo, Christine Lagarde, neste sábado (11). Segundo ela, as autoridades norte-americanas enviaram "declarações reconfortantes" que mostram que está havendo trabalho sobre a questão.

Em 2010, em função da crise global, ficou acordado que o FMI seria fortalecido com recursos adicionais, vindos de países como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Em troca, esses países teriam mais participação nas decisões da organização.

Os EUA, principal país acionista do FMI, têm, na prática, poder de veto no organismo multilateral. Isso porque conta com 16,75% de poder de voto e, para ser aprovada, a reforma exige 85% de apoio. Por isso, as mudanças devem passar pelo Congresso dos EUA.

Na declaração preparada para a reunião do IMFC, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a situação não pode mais se prolongar. De acordo com ele, a demora na ratificação da reforma prejudica a eficácia do FMI.

"A diretora-geral afirmou que as opções para o caso de os EUA não aprovarem as reformas de 2010 até o final do ano estariam prontas no começo de janeiro para discussão com o G20 e o IMFC. Nós confiamos na palavra dela e esperamos que essas opções já estejam sendo desenhadas", disse. Hoje o Brasil conta com cerca de 2% das cotas do fundo. Com o acordo, passaria a deter aproximadamente 3%.

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