Excesso de peso atinge 47%

Quadro é grave e atinge a população adulta de BH; outros 15% estão obesos, conforme pesquisa

iG Minas Gerais |

Mudança de vida. A dona de casa Ana Cláudia Emerick, 45, emagreceu 30 kg após cirurgia bariátrica
Lincon Zarbietti / O Tempo
Mudança de vida. A dona de casa Ana Cláudia Emerick, 45, emagreceu 30 kg após cirurgia bariátrica

Nos últimos dois anos, o número de adultos com excesso de peso no país ultrapassou os 50%, e a situação em Belo Horizonte não está muito distante disso. Na capital mineira, essa realidade alcança 47% do mesmo grupo etário, e outros 15% estão obesos. Os dados são da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgado anualmente pelo Ministério da Saúde. Hoje, Dia Internacional de Prevenção da Obesidade, o presidente do Instituto Mineiro de Obesidade e Cirurgia (Imoc), René Berindoague, chama a atenção para a disseminação da doença e destaca a necessidade de conscientização e tratamento. Para Berindoague, os brasileiros têm acompanhado as tendências norte-americanas, e o país está com um alto nível de obesidade. “A obesidade é considerada e deve ser tratada como doença. É importante que o paciente entenda isso. Ele não escolheu ser obeso, e os motivos (da obesidade) são múltiplos”. Um jovem de 24 anos, que preferiu não ser identificado, descobriu há pouco mais de um ano que está com problemas no fígado em decorrência da obesidade. Ele pesa 135 kg e afirmou que ao ser diagnosticado com esteatóse hepática, começou a pensar em emagrecer. “De acordo com os médicos, se eu não emagrecer, posso ter até uma cirrose. Para mim, a cirurgia (redução do estômago) não é opção, pois acho agressivo, mas já melhorei a minha alimentação e tenho planos de começar a caminhar”, contou. O tratamento tem fases, segundo o especialista, e a minoria dos pacientes é candidata à cirurgia bariátrica (de redução do estômago). “A grande maioria é indicada para o tratamento clínico. Consideramos intratáveis os que seguem o tratamento por cinco anos sem sucesso”, explica. A indicação para operar é para quem tem o Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40% ou superior a 35% tendo quadros de hipertensão, diabetes ou problemas articulares. Mas todos os candidatos ao procedimento precisam ter de 18 a 65 anos. Vitória. A necessidade de reverter esse quadro de obesidade no país já é prioritária. Conforme Berindoague, isso é fundamental para garantir a saúde dos brasileiros e reduzir os danos que o excesso de gordura causa a vários órgãos. Além disso, são os pequenos dramas diários que maltratam o dia a dia dessas pessoas. “Eu já havia tentado todos os tratamentos possíveis antes de optar pela intervenção cirúrgica. E, mesmo sendo um processo um pouco mais complicado, não me arrependo. Tudo na minha vida hoje é melhor, desde o simples fato de (conseguir) cruzar as pernas até a minha saúde”, contou a dona de casa Ana Cláudia Emerick, 45. Ela não se considera uma pessoa magra para os padrões estéticos, mas está feliz e, hoje, consegue pequenas vitórias, como calçar uma bota, subir uma escada e usar um biquini. Ela perdeu 30 kg e comemora entrar em uma loja e escolher uma roupa. “Agora, eu não sou mais escolhida pela roupa. A escolha não é o que me cabe, mas o que eu quero”. 

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