Mercedes confirma adaptação da fábrica de Juiz de Fora

Unidade vai receber investimento menor e perderá espaço

iG Minas Gerais | Helenice Laguardia |

Novo modelo. Conforme O TEMPO adiantou na edição de ontem, Actros será montado em JF
IGOR VEIGA
Novo modelo. Conforme O TEMPO adiantou na edição de ontem, Actros será montado em JF

São Bernardo do Campo (SP). Minas Gerais vai mesmo perder a fabricação da linha de caminhão leve Accelo, da fábrica da Mercedes-Benz, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, para a unidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, a partir de 2016. A unidade de Minas vai ficar responsável pela linha de montagem bruta e pintura de cabinas de caminhões, além da produção do extrapesado Actros.

A informação foi confirmada pelo presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, Philip Schiemer. Para isso, a montadora alemã vai investir R$ 230 milhões para duplicar e ampliar as instalações da planta de Juiz de Fora, e outros R$ 500 milhões para modernizar e ampliar as instalações produtivas da unidade de São Bernardo do Campo até 2018.

O executivo descartou demissões por conta dessa mudança na forma da organização das plantas e garantiu a requalificação dos funcionários para as atividades. “Para Juiz de Fora, no fundo, nada está modificando, não estamos pensando numa mudança no nível de emprego. Nossa mudança é de estratégica”, disse Schiemer sobre os atuais 750 empregos. No futuro, ainda é incerta a manutenção. “A necessidade de mão de obra depende do nível de mercado. Se o mercado vai crescer teremos mais nível de emprego, se o mercado não vai crescer teremos menos emprego”.

Com a reorganização, Schiemer explicou que toda a parte de cabina de todos os caminhões vai ser feita em Juiz de Fora. “Hoje, é feito um pouco aqui (em São Bernardo do Campo) e outra parte em Juiz de Fora e isso não é eficiente”. São cerca de 15 mil cabinas feitas em Minas. O executivo calculou que, no futuro, serão produzidas de 40 mil a 50 mil cabinas por ano em Juiz de Fora, dependendo do mercado. O investimento na planta mineira vai permitir uma capacidade de montagem de 80 mil cabinas por ano. A montagem final do produto vai acontecer em São Bernardo do Campo “por razões de competitividade”.

“A gente quer continuar com o negócio em Juiz de Fora”, garantiu. Para Shiemer, houve um certo desentendimento pelo sindicato dos metalúrgicos sobre a mudança e que ele não quis comentar. “Nós explicamos isso para o governo”, informou, numa alusão à reunião que a Mercedes teve no Ministério do Desenvolvimento. O governo federal pediu a reunião para esclarecimentos, de acordo com o executivo. Por isso, foi informado ao governo que a Mercedes está fazendo agora um investimento adicional de R$ 730 milhões no Brasil, além do aporte de R$ 2,5 bilhões realizados entre 2010 até 2015 totalizando R$ 3,2 bilhões.

Contrapartidas. Sobre os benefícios recebidos pela Mercedes-Benz do governo de Minas, quando a fábrica foi instalada em Juiz de Fora, no final da década de 90, Schiemer garantiu que todas as contrapartidas exigidas da montadora já foram cumpridas com a cobertura de todos os acordos. “Não existe mais incentivo estadual, eles terminaram na década de 90”, afirmou.

A jornalista viajou a convite da Mercedes-Benz

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