Chuva forte, só em dezembro

Moradores criam até página em rede social para mostrar desolação na região da represa em Minas

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Calamidade. Situação de Furnas é cada vez mais grave
[CREDITO]Amigos do Rio Grande/Furnas/Divulgação
Calamidade. Situação de Furnas é cada vez mais grave

O clima seco vai demorar a passar. Chuva com intensidade na região Sudeste, só em dezembro. A previsão é do Climatempo e não é nada animadora, já que o subsistema Sudeste/Centro-Oeste concentra 70% da capacidade de armazenamento do país. Antes do fim do ano, somente pancadas de chuva e frentes frias estão previstas.

Essa é a situação, por exemplo, da segunda quinzena deste mês, que deve ter duas frentes frias e pancadas em todo o país, exceto no Nordeste. Em novembro está previsto um aumento de chuvas, mas apenas na região Sul.

No Sudeste, só vai haver mais precipitação no leste de São Paulo e no Norte de Minas Gerais. No Centro-Oeste, o volume será abaixo da média histórica. Já em dezembro, a Zona de Convergência do Atlântico Sul aumentará a quantidade de chuvas entre os dias 5 e 15 no Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil.

Enquanto a chuva não chega, a região vai se acostumando a cenas como as mostrada na página “Amigos do Rio Grande”, criada no Facebook há cerca de duas semanas. Nela, o técnico de enfermagem Alex dos Reis Garcia, morador de São João Batista do Glória, no Sul de Minas, posta fotos da paisagem cada vez mais desoladora do local antes ocupado pela represa de Furnas.

“Antes, a gente andava de barco, tinha a represa. Agora, a água está muito longe”, conta. Em uma das imagens, é possível ver uma placa colocada em época de cheia com os dizeres: “ótimo para pescar. Cuidado, muito fundo”. Hoje, a placa está cercada de grama e ao longe há apenas um filete de água.

A página também tem alguns comparativos de antes e depois dos locais afetados pela seca. Até ontem, cerca de mil pessoas tinham curtido. Garcia diz que postava as imagens em seu perfil pessoal e decidiu criar a página para dar mais visibilidade ao problema. “Nunca vi uma seca igual. É de assustar”, afirma.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Furnas está com apenas 20,09% de sua capacidade de armazenagem. Nos reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste, a média é de 23,85%, praticamente a mesma registrada em outubro de 2001, ano do racionamento de energia, quando o volume era de 21,30% da capacidade total.

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