Seca obriga cidades mineiras a adotarem racionamento de água

Viçosa, Igarapé e Passos tomam medidas, formais e informais, para minimizarem problema

iG Minas Gerais | Janine Horta |

A água está no fim. Serra Azul, reservatório da Copasa localizado nos municípios de Juatuba, Mateus Leme e Igarapé, um dos responsáveis pelo abastecimento da RMBH, está praticamente seco
Amanda Costa / Divulgacao
A água está no fim. Serra Azul, reservatório da Copasa localizado nos municípios de Juatuba, Mateus Leme e Igarapé, um dos responsáveis pelo abastecimento da RMBH, está praticamente seco

A seca que castiga Minas Gerais há meses, e que se agrava enquanto não há sinais de chuva, já provoca grandes mudanças na vida de muitas cidades no interior, como Viçosa, na Zona da Mata, Igarapé, na região metropolitana e Passos, na região Sul. Viçosa anunciou ontem um esquema de rodízio no fornecimento de água para todos os bairros, em que o abastecimento será interrompido por 12 horas seguidas em horários definidos pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), a autarquia municipal responsável pelo serviço de água.

Na próxima segunda-feira, o Ministério Público Federal estará presente numa reunião entre prefeitura de Viçosa e representantes da Universidade Federal de Viçosa (UFV), para definir a distribuição da água entre a comunidade acadêmica e a cidade. “Temos dois locais de captação de água. Em um deles, o reservatório do rio São Bartolomeu, a vazão de 300 litros/segundo (da qual captávamos 100 litros/segundo para a cidade e 50 litros/segundo para a universidade), caiu para 37 litros/s”, conta o diretor-presidente do SAAE, Antônio Lima Bandeira. No outro local de captação – o rio Turvo – embora o volume da vazão tenha caído menos, por estar em ponto mais baixo, atende apenas parcialmente à cidade e não atende à universidade, que capta apenas no rio São Bartolomeu.

A prefeitura de Igarapé, atendida pela Copasa, informou que decretou estado de emergência, criou um comitê para enfrentar a crise e “implantou o rodízio no fornecimento de água na cidade; a suspensão do regamento de praças, campos e jardins municipais; a suspensão da utilização de caminhões-pipa para molhar estradas, da lavação dos veículos municipais, com exceção da higienização interna das ambulâncias; implantou uma campanha de conscientização do uso da água nas escolas e demais órgãos públicos; além da intensificação do cercamento de nascentes.” A Copasa, também por meio de nota, informou que “O período de estiagem reduziu a vazão do córrego Estivas – responsável por 40% do abastecimento da cidade – provocando intermitência. Para atendimento à população, a empresa tem realizado manobras operacionais no sistema e deslocado caminhões-pipa para reforçar o abastecimento de hospitais, escolas e creches”.

Funcionário de uma farmácia no centro de Igarapé, Adão Bastisteli, contou que no bairro onde mora, a água chega dia sim, outro não. “Vamos economizando para não usar toda a água da caixa em casa”, disse.

Nem Igarapé e nem Viçosa chegaram a pedir ajuda à Defesa Municipal Estadual, que listou até o momento, 155 municípios em situação de emergência por causa da seca. Sendo assim, as duas cidades estão fora da lista do órgão estadual, o que pode significar que o problema em Minas Gerais pode ser bem maior do que se conhece até o momento.Caminhões-pipa.

Em Passos, Sul de Minas, não tem racionamento, mas, segundo relatos de moradores, já começou rodízio no abastecimento por causa da queda do nível do rio Grande. Segundo o Saae da cidade, os dois sistemas de captação do município estão comprometidos.

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