Os segundos turnos

iG Minas Gerais |

Em um país onde se respira futebol e democracia, é plausível associar nossa paixão nacional a qualquer assunto, até aquele que é paixão dos povos democráticos evoluídos – o processo político, não a política em si –; o que definitivamente não é o nosso caso, infelizmente. Tanto no nosso principal campeonato quanto nesta eleição para presidente, há paralelos interessantíssimos que suscitam algumas breves, ou não tão breves assim, reflexões. O desempenho do Cruzeiro no segundo turno do Brasileiro fez a torcida sentir um medinho, mas o time, quando não joga bem e não vence, conta com repetidos vacilos de adversários na luta pelo triunfo, que continua sendo uma questão de tempo. Já no pleito, os eleitores que querem resultados também sentiram um certo temorzinho, acho que nesse caso um temorzão, até que o segundo turno fosse confirmado como se deu. Agora, na nova disputa, como de fato é, o adversário – nesse caso só um –, está em situação complicada. Os únicos indicadores econômicos nos quais pode se apegar (aumento da renda e nível de emprego) vão ruir nos próximos messes se o país não voltar a ter índices de crescimento que não sejam pífios. Sem falar no total descontrole das contas públicas, o verdadeiro motivo da inflação, que sempre penaliza justamente os mais pobres. O voto do povo é mesmo soberano, ainda bem para a democracia. Outra nuance a ser considerada é mais um escândalo gigantesco de corrupção, que começa a ser desvendado, com o mesmo modus operandi do mensalão, até o partido mentor e o cargo (tesoureiro) são os mesmos, o que mostra uma estrutura bem-instalada e bem-difundida de como agir. Não sou eu que digo, são os gerentes do esquema. O vermelho está em baixa! O também colorado Internacional poderia ter vencido Cruzeiro e Chapecoense e estar na briga mais do que nunca. Sempre entre os favoritos, o Inter segue vacilando, ano após ano, e continua vivendo de conquistas passadas, no Brasileiro, é claro. Os títulos de 1975 e 1979, esse de forma invicta, nunca mais se repetiram, assim como um time ser campeão brasileiro sem perder. Os 5 a 0 para o time de Santa Catarina, que luta para não cair, também foram escandalosos. Claro que a eleição não está definida, e o Cruzeiro também não é essa maravilha toda que muita gente diz, nem a equipe do ano passado. É competitivo, consegue fazer o que se propõe e tem uma gestão profissional e sem sobressaltos. Por isso é confiável! Outros times que tentaram e ainda tentam, mesmo sabendo que não chegarão, são São Paulo, Atlético, Corinthians e Grêmio. O chegar será ir para a Libertadores. Só que esses times, melhores, serão o fiel da balança no segundo turno, do campeonato. Já no da eleição, os partidos que ficaram de fora não farão diferença, nem o PSB, que ganhou muita força nos últimos anos, é verdade, mas que ainda é bem menor do que Marina Silva, que, essa sim, sai fortalecida da eleição, pois chega, de novo – mulher, negra e de origem humilde –, como uma figura mais do que consolidada no processo eleitoral brasileiro, e por muito tempo. Isso é bom! Aliás, poderíamos ter tido duas mulheres no segundo turno, logo na eleição seguinte à primeira mulher ter governado um país que, além de maltratá-las, não consegue combater a violência contra elas, embora estejamos melhorando. Isso é sensacional do ponto de vista sociológico, mas o jogo é jogado no campo (na urna), e o melhor costuma vencer. Que role a bola!  

Amadurecimento. Outra questão que chamou a atenção nessas eleições e está diretamente ligada ao esporte foi o fracasso nas urnas de muitos ídolos, o que mostra amadurecimento do eleitor. Embora haja muita gente da área que fez, faz e fará bons trabalhos, os surfistas da fama tomaram um caldo forte. Alguns não vão se recuperar e não voltarão mais ao mar onde estavam há anos. Outros sequer porão de novo o pé na água.

Vamos ver! A seleção joga hoje contra a Argentina em um amistoso, importante por ser contra quem é, mas que tentam dar ares de jogo oficial com essa história de Superclássico. É sempre bom ver a seleção jogar, ainda mais em uma fase tão difícil, a renovação mais importante na história do time. Dunga tem o direito de testar quem quiser, mas sinto falta de mais jovens em um grupo que precisa ser renovado. 

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