Corrupção x preconceito

iG Minas Gerais |

As denúncias de corrupção e a grande repercussão que vem tomando os comentários preconceituosos contra a população nordestina nas redes sociais estão sendo a tônica deste início de segundo turno. Com o eleitorado bastante dividido, numericamente favorável a Aécio Neves, ganham prioridade para o PSDB os casos que associam a presidente Dilma Rousseff aos escândalos da Petrobras. Com a divulgação de vídeos e áudios das delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e de Paulo Roberto da Costa, ex-diretor de abastecimento da estatal, Dilma, após consultas a assessores, recuou um pouco em seu ímpeto de atacar. Certamente, os petistas estão medindo bastante a dosagem da “desconstrução”. O que funcionou contra Marina Silva pode não ter o mesmo efeito contra Aécio ou até ter resultado contrário, pois, ao contrário da candidata do PSB, o senador mineiro reage com mais rapidez e tem agora elementos mais do que suficientes para contrapor qualquer bombardeio que venha da campanha adversária. Por enquanto, a única reação articulada que o PT deixa transparecer, do ponto de vista da desconstrução, é a associação de Aécio a eleitores do tucano que, desvairadamente, postam em redes sociais comentários racistas e discriminatórios contra nordestinos. O PT, quando em situação de desvantagem, se acostumou a partir para a ofensiva, mas está acuado, ainda entorpecido pelos fortes golpes desferidos por Youssef e Paulo Roberto. É certo também que o eleitorado petista não é tão impactado por denúncias de corrupção, por mais graves que elas possam parecer. Se as pesquisas divulgadas até aqui estiverem corretas, levando em conta que a credibilidade dos institutos também anda afetada, a campanha da presidente vem demonstrando certa estabilidade. Dilma, por enquanto, apesar da ultrapassagem numérica de Aécio, ainda não perdeu espaço. Entre o preconceito contra os nordestinos e as corrupções descobertas dentro do governo, fica um vácuo grande, em que propostas e caminhos para um país melhor desaparecem. Até o leque de alianças está em segundo plano. Pouco ou quase nada significaram o apoio do PSB ao PSDB e a articulação de governadores eleitos em favor de Dilma. Marina Silva, que também demora muito para decidir seja lá o que for, está perdendo a importância neste jogo eleitoral. Como não se manifesta de maneira ágil, os acontecimentos vão engolindo o capital político da fundadora da Rede Sustentabilidade, reduzindo-a a mera telespectadora. Está evidente que vai vencer este embate aquele que conseguir sair menos ferido da fuzilaria. Por isso, diante de tudo o que está acontecendo, após massacrar a ex-senadora e escolher Aécio como adversário, a inserção em que a campanha de Dilma apresenta “compromissos” contra a corrupção soa como piada de salão. Uma campanha de artilharia pode ser um tiro no pé do PT, mas uma “Dilminha paz e amor”, decididamente, é um tiro em cada um dos pés.

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