Manias

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Na última semana recebi pela internet uma daquelas correntes que devemos responder e passar adiante. Normalmente, eu deleto sem ler, mas, como quem me mandou foi uma grande amiga, que não costuma enviar bobagens, resolvi prestar atenção. Ainda bem. A instrução era simples. Listar cinco de suas manias e depois escolher cinco pessoas a quem enviar a corrente para o jogo continuar. No começo eu achei complicado. Quando penso na palavra “mania”, meu primeiro pensamento é “estalar os dedos”, que é a mania que eu tenho desde os 10 anos. Mas só que ela está meio em desuso, já não estalo mais os dedos como antigamente e, hoje em dia, quando o faço, é sem nem perceber. Resolvi então descobrir as manias da amiga que me enviou a tal corrente e também as da amiga dela, de quem ela havia recebido previamente, para eu pelo menos ter ideia do tipo de mania que as pessoas têm. Com certeza, deveria ser algo mais interessante do que fazer barulho com os dedos. Realmente. Minha amiga tem mania de lavar as mãos, grifar livros, ouvir música o tempo todo, falar sozinha... A amiga dela tem particularidades como não gostar de cadernos com linhas azuis e adorar caixas. A amiga da amiga dela gosta de ler jornais de trás pra frente e inventar apelidos para os outros. Comecei a pensar em como hábitos diários que a gente tem se tornam mania sem a gente nem perceber. A primeira coisa que eu faço ao acordar é olhar as horas. Se não tem nenhum relógio por perto, levanto meio desorientada até encontrar algo que mostre que eu não esteja atrasada ou que não tenha dormido pouco demais. E aí já vem outra mania. Faço as contas todas as manhãs de quantas horas de sono eu tive. Após me levantar, meu primeiro ato é ligar o computador. Só depois que vejo a tela acendendo é que parto para a próxima mania: ir ao banheiro. Pode ser que ir ao banheiro ao levantar-se não seja mania, ou que seja uma mania de todo mundo, mas acho que cada pessoa deve ter um jeito peculiar de executar esses hábitos cotidianos. Eu, por exemplo, me olho no espelho, prendo os cabelos, olho para a balança, não subo na balança, me olho no espelho de novo, e só então começo a higiene matinal. A revista “Veja”, há um tempo, publicou uma reportagem sobre manias que viram doença. Checar várias vezes se a porta está trancada ou não pisar em determinados locais da calçada podem ser indício de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e lembro que na época fiquei com mania (lá vem a palavra de novo!) de verificar todos os meus hábitos em busca de indícios da tal doença. Aliás, essa é outra das minhas manias. Se leio sobre alguma doença, já começo a sentir os sintomas dela. É, acho que o meu caso já passou de mania para loucura. Um amigo, certa vez, me contou que ele precisa ter números congruentes de amigos nas redes sociais. Se o número não é inteiro, ou não tem todos os algarismos pares, ou nenhum tipo de sintonia entre si, ele não dorme enquanto não resolver o “problema”. Minha tia quase enlouquece se encontra um cabelinho no sabonete. Minha amiga tem loucura por pinças. São pequenos detalhes de cada pessoa que a gente nem imagina que sejam mania, até chegar uma corrente dessas em nosso computador para nos fazer pensar. E por falar na corrente, nenhuma dessas foram as manias que listei. Na minha lista (e eu tenho mania de fazer listas) constou: comprar DVDs, ler livros da Meg Cabot, agarrar os meus cachorros e gatos, ser viciada em internet e colecionar luas e estrelas. Enfim, eu só respondi mesmo porque tenho mania de responder a questionários. Já as manias das amigas para quem eu repassei não têm nada a ver com isso, visto que apenas uma deu prosseguimento à corrente. Quem sabe você não quer responder no lugar delas? Será que tem alguma mania sua esperando para ser percebida? Aposto que ler crônicas é uma delas…

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