A verve lírica de Elomar

iG Minas Gerais | João Paulo Costa |

Apresentação enaltece o rico cabedal cultural das composições de Elomar
Elomar/divulgação
Apresentação enaltece o rico cabedal cultural das composições de Elomar

Na década de 70, o poeta, cantor e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980) referiu-se a Elomar como “o príncipe da caatinga”, tamanha a admiração que o Poetinha nutria por este baiano de Vitória da Conquista (BA). Desde que surgiu para o grande público com o clássico disco “Nas Barrancas do Rio Gavião” (1972), tem se destacado por criar uma estética única, marcada pela presença da cultura popular regional aliada à construção musical inspirada na tradição trovadoresca (feita por trovadores) da Idade Média.

Com mais de 300 músicas gravadas, entre elas “O Pedido”, “Arrumação”, “História de Vaqueiros”, “Auto da Catingueira”, Elomar chega à capital mineira para duas apresentações, nos dias 17 e 18 (sexta e sábado), no teatro Bradesco.

Numa espécie de roda de viola, o Menestrel recebe no palco os violonistas Kristoff Silva, Maurício Ribeiro, Hudson Lacerda, Avelar Júnior, a cantora Letícia Bertelli e seu filho João Omar, pessoas responsáveis pela transcrição de sua obra para o livro “Elomar em Partituras – Cancioneiro”, trabalho que norteia a apresentação.

“No show compartilhamos as vozes em vários momentos. Todos os músicos tocam e cantam, o que dá ao concerto um colorido muito especial. Eu não destacaria as canções que interpreto, pois tenho um carinho imenso por todo o repertório. Mas destaco ‘Joana Flor das Alagoas’, tocada e cantada por João Omar, ‘Faviela’, interpretada por Kristoff Silva e ‘Cantiga do Estradar’, por Hudson Lacerda, além das obras cantadas pelo próprio Elomar”, destaca Letícia Bertelli, que assina a direção artística e musical do livro.

Segundo a cantora, o obra de Elomar transcende fronteiras. “Mesmo com a grande mídia ignorando sua obra, Elomar tem admiradores em todo o país e mesmo em países estrangeiros. Além disso, a música de Elomar é referência para a obra de muitos outros artistas”.

Na mesma linha, o violonista mineiro, Kristoff Silva afirma a capacidade do artista. “Nosso trabalho foi o de ouvir os discos e vinis do violonista e transcrevê-los para as partituras, que são ‘fotografias’ desta obra sem igual de Elomar. A obra dele é absolutamente única e o concerto mostra um pouco disso”, diz.

Recluso

Elomar não é dado a entrevistas e prefere a vida reclusa do interior da Bahia. Grande parte do tempo ele fica entre as suas fazendas Gameleira, Duas Passagens e Lagoa dos Patos, locais onde se ocupa da criação de bodes e carneiros. Esta paixão pela vida simples da roça, só não é maior que seu amor pela música, único fator capaz de tirá-lo da região onde cresceu (conforme conta os amigos mais próximos).

“Elomar” Teatro Bradesco (r. da Bahia, 2.244, Lourdes, 3516-1360). Dias 17 (sexta) e 18 (sábado), às 20h. R$ 70 (inteira).

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