Uma difícil geografia

iG Minas Gerais |

Inicia agora uma nova fase na disputa presidencial. A herança eleitoral do primeiro turno poderá ser mantida ou não. Tudo dependerá da capacidade das campanhas de Aécio Neves e Dilma Rousseff de preservar o que tiveram na primeira fase da eleição e de ampliar o leque de eleitores. O segundo turno é uma nova eleição. Tudo pode acontecer. Mas as tendências não podem ser desconhecidas. O candidato do PSDB iniciou, um pouco antes do fim do primeiro turno, uma curva acentuadamente ascendente, o que permite um início mais tranquilo nesta segunda fase de votação. Por outro lado, a candidata Dilma Rousseff mostrava uma curva mais reta, o que indica estabilidade. Assim, é possível dizer que, para ela, será mais difícil perder votos, tal como será mais difícil ganhar votos. Não gratuitamente, a presidente já iniciou um trabalho de preservação de seu eleitorado. Ela começa a campanha pelo Nordeste, onde tem votação expressiva. Em seguida, ela se encaminha para Minas Gerais, onde tem boa votação, ainda que muito próxima à de seu adversário. Depois desse trabalho de manutenção, que se esgota na semana que vem, a presidente deverá tentar novas regiões, especialmente no Sul do país. Em São Paulo, a campanha petista deve se conformar com a derrota. O Estado parece ser considerado território perdido para a campanha de Dilma. Ao contrário, Aécio Neves deverá tentar a manutenção da sua boa frente naquele Estado, consciente de que a votação que obteve está intimamente relacionada à participação dos tucanos paulistas, como Geraldo Alckmin e, em menor intensidade, José Serra. Aécio também deverá manter seus esforços em Minas Gerais; o Estado é uma região em que os tucanos acreditam que podem ampliar a votação. Para os tucanos, o Nordeste é uma região mais difícil e não deve constar na lista de prioridade. Somente Pernambuco deverá ganhar atenção especial, mas no sentindo de angariar a adesão dos pernambucanos à campanha de Marina Silva, candidata derrotada no primeiro turno de votação. A influência que Marina poderá ter na campanha de Aécio Neves, a quem ela deverá formalizar apoio, é uma grande incógnita. O PSB, partido que abriga Marina, vai com Aécio e, certamente, vai significar um apoio importante. O PSB tem estrutura e lideranças de peso. Já Marina, considerada isoladamente – até porque já está se afastando do PSB após a derrota –, tem menos estrutura e uma militância mais complicada. A Rede, embora não exista oficialmente, tem todos os problemas que um partido formal tem: divergências internas, falta de unidade, lideranças em disputa e um programa que, ao invés de agregar, é uma verdadeira ameaça à unidade.

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